O cartel formado no Brasil pelos grupos Sada e Tegma teria outro destino se operasse na Europa. Juntas concentram mais de 95% do transporte de veículos novos no País – um mercado bilionário. Enquanto aqui as duas empresas prosperam sob o olhar desatento do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), na Europa os órgãos antitruste punem severamente transportadoras que afrontam os princípios da livre concorrência.

No início desta semana, a Comissão Europeia condenou transportadoras marítimas a pagar multa de 395 milhões de euros. A pena refere-se à formação de cartel.

Quatro companhias foram punidas: a chilena CSAV, as japonesas K Line, MOL e NYK, além da WWL-EUKOR, da Noruega e da Suécia. Uma quinta operadora livrou-se de multa de 203 milhões de euros ao entregar o cartel.

Segundo comunicado da Comissão Europeia, o cartel agia com o objetivo de alinhar preço dos fretes e dividir os clientes. O esquema, segundo o órgão antitruste europeu, funcionou por seis anos, entre outubro de 2006 e setembro de 2012:

“Durante quase seis anos, os responsáveis de vendas destas empresas reuniram-se nos escritórios de uns e outros, em bares, restaurantes e até em ocasiões sociais. Houve também contacto regular através de via telefónica. Nessas discussões, as cinco companhias marítimas coordenaram preços, dividiram e distribuíram clientes entre elas e trocaram informação comercial sensível que as ajudou a concertar os preços.”

Em vez de competirem, ajudaram-se umas às outras em determinadas rotas ou face a certos clientes, ao fixarem preços elevados deliberadamente. Após o julgamento, a comissária pela Competição na UE, Margrethe Vestager, ressaltou:

“Não será tolerado o comportamento contrário à concorrência, que afeta consumidores e indústrias.”



Livre Concorrência

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