O empresário e político mineiro Vittorio Medioli volta a sentar no banco dos réus na próxima quarta-feira, 28 de fevereiro. Esta é a primeira vez que o dirigente máximo do grupo Sada e atual prefeito de Betim enfrenta uma ação penal no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Ele está sendo processado por formação de cartel e formação de quadrilha no setor de transporte de veículos novos.

Previsto para começar às 9h30, o julgamento será realizado no Primeiro Cartório de Feitos Especiais (1º Cafes). A ação por crimes contra a ordem econômica foi ajuizada na Comarca de São Bernardo do Campo pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), órgão do Ministério Público do Estado de São Paulo.

Associação criminosa e lavagem de dinheiro
Ao todo, a Justiça de São Bernardo do Campo encaminhou em 2017 para o TJMG duas ações penais contra Medioli. Ele possui foro especial por ter sido eleito, em 2016, prefeito de Betim. O segundo processo também refere-se a crimes praticados contra a ordem econômica, por meio de organização ou associação criminosa, falsos documentais e tributários, além de lavagem de dinheiro.

A segunda demanda judicial aguarda parecer do desembargador-relator do processo Adilson Lamounier, do Cartório da 5ª Câmara Criminal do TJMG. Os dois procedimentos correm em segredo de Justiça.

Em ambos os processos ajuizados pelo Gaeco de São Bernardo do Campo, Vittorio Medioli aparece como réu ao lado de Gennaro Odonne, executivo da Tegma Gestão Logística. Os dois Grupos, Sada e Tegma, concentram mais de 95% do mercado bilionário de transporte de veículos novos no País.

Os crimes de Vittorio Medioli e outros réus, segundo o Gaeco
1 – Formação de cartel;
2 – Formação de quadrilha;
3 – Crimes de organização ou associação criminosa;
4 – Falsos documentais e tributários;
5 – Lavagem de dinheiro.

Condenado por evasão de divisas
Em 2015, a Justiça Federal em Minas Gerais condenou Vittorio Medioli a cinco anos e cinco meses de prisão pelos crimes de evasão de divisas e manutenção clandestina de depósitos no exterior. O Ministério Público Federal (MPF) recorreu para pedir aumento da pena para seis anos (pena máxima). Recurso, também apresentado pela defesa de Medioli, está tramitando no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, com sede em Brasília, DF.

Segundo a denúncia da Procuradoria da República de Minas Gerais (PR-MG), o réu efetuou operação de câmbio não autorizada, com o fim de promover evasão de divisas do País, além de ter mantido depósito de quantias no exterior sem informá-lo às autoridades competentes.

Como funcionou o esquema, segundo a PR-MG:

“As operações foram feitas em 2002 e totalizaram 595 mil dólares americanos. Para efetuá-las, Vittorio Medioli entregou a quantia a um doleiro no Brasil que a converteu no mercado negro de câmbio. Em seguida, o dinheiro transitou pela subconta Monte Vista, mantida pela Beacon Hill Service Corporation junto à agência do Banestado em New York/USA, para, finalmente, ser depositada em um banco suíço no qual o empresário possuía conta.”

 

 

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