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*Sineimar Reis

 

O isolamento é uma forma de prevenção ligada a certo período de tempo, por razões de saúde, esta pratica foi adotada muito antes do surgimento do COVID-19. Às vezes, isolamentos eficazes, outras não, têm sido aplicados em diferentes períodos da história, trazendo consequências econômico-sociais muito importantes para as sociedades que passaram por elas. Aqui no Brasil, houve casos de pandemias que custou a vida até de um presidente no passado.

Embora o termo quarentena começasse a ser usado somente após a disseminação de doenças por toda a Europa por decorrência da Peste Negra, também conhecida como Peste Bubônica ocorrida no século XIV, como veremos mais adiante, o isolamento preventivo de pessoas por razões de saúde pode ser restaurado ao longo do tempo pela primeira vez, aproximadamente 2.600 anos atrás, veja em Levítico (um dos livros bíblicos do Antigo Testamento). Hoje, devido à expansão do COVID-19, em todo o mundo, essa medida de isolamento é aplicada por pelo menos 35 países em várias partes do mundo, afetando aproximadamente um bilhão de pessoas.

Apesar do imenso desenvolvimento sem precedentes da ciência no momento e da tecnologia, os Estados continuam a aplicar o melhor tipo de medida, que é o #FiqueEmCasa, que, querendo ou não, afetam grandes setores da população. Sendo assim, apoiam políticas que garantem um regime de desigualdade baseado nos negócios e no lucro sobre a saúde. Quais consequências esse tipo de medida trouxe no passado? É a única solução ou é uma correção dos Estados que não conseguem responder às crises da saúde e ao financiamento dos sistemas de saúde?

Escrevi este artigo, porque atualmente, estou também estudando para escrever minha dissertação de Mestrado, no qual é sobre os leprosos da Antiga Colônia Santa Izabel em Betim. Então vamos lá, a história das quarentenas é, ou melhor, dizendo, em última análise, a história dos leprosos. Historia pelo qual interessei e vou defender dissertação para o titulo de mestre em 2021. Vale ressaltar que o isolamento ocorreu de várias maneiras ao longo da história, os doentes foram tratados como impuros, aqui na Colônia Santa Izabel em Betim, eram deixados por seus familiares por serem diferentes dos membros da família, muitos anos atrás, os leprosos eram considerados "portadores do castigo divino por seus pecados pagos com seu próprio corpo". Pouco e nada se sabia sobre as doenças na época, por isso, a melhor forma, era a separação, considerada por toda a sociedade como mutiladora, incurável e vergonhosa. Estou referindo a um período histórico em que a medicina era bem básicas para tratar da sociedade, tinha um funcionamento fraco e onde a conexão entre uma cidade e outra não existia (ou era muito escassa). Muito diferente do mundo hoje que é hiper-globalizado.

Atualmente o COVID-19 foi acompanhado pela exacerbação de respostas nacionalistas e reacionárias em grande parte do mundo alimentando mecanismos de controle e repressão por alguns governantes. Embora todas as consequências do surto do vírus ainda sejam desconhecidas, alguns elementos disso podem ser vistos nos discursos de presidentes como Jair Bolsonaro e Donald Trump, referindo-se ao Coronavírus como um "vírus chinês" e exclamando com "gripezinha" e "resfriadinho".

Há na história ao longo dos anos, argumentos de guerras econômicas e o aparecimento de doenças para recuperar a economia, ou seja, o comércio. Uma delas ocorreu na Idade Média conhecida como praga Justiniana. Tem o nome praga Justiniana ou Justinus (nome dado pelos historiadores modernos, em referência ao imperador romano Justiniano I, que então governou o Império Bizantino), é considerada como uma das pragas mais importantes da história. O país reivindicou a vida de 25 a 50 milhões de pessoas, aproximadamente 1.500 anos atrás, entre 541 e 750 d.C. Foi uma das razões que contribuíram para a frustração dos planos de unificar o Império Romano dividido em 476 a.C.

Ocorreu um esvaziamento brutal no Império Bizantino por conta do isolamento, sendo assim, enfraqueceu a economia e, em longo prazo, resumindo, deu-se a oportunidade a vários povos bárbaros invadir o território Romano e desestabilizar a política interna.

De acordo com pesquisas para enriquecer o texto, as fortes consequências econômicas que essa epidemia Justiniana trouxe podem ser observadas com o comércio de marfim do Império Bizantino durante o período. Vale ressaltar o número de obras de arte bizantinas feitas em marfim que sobreviveu até os dias atuais, de 400 a 540, cento e vinte peças foram preservadas, mas de 540 a 700, apenas seis foram preservadas. A partir de 540 d.C. o comércio de marfim parou e as quantidades desse material que chegaram ao Império eram mínimas. (DAVIS, 2000, p. 24).

Então, não adianta o espanto, as epidemias, pandemias e quarentenas afetam a vida social e a economia. Porém, a maneira pelo qual os Estados a respondem é que causa baixa estrutura, muitos passam dos limites.

A Peste Negra em 1377, primeiramente na colônia veneziana de Ragusa (hoje Dubrovnik), colocou em operação o primeiro sistema institucional de quarentena da história, devido à peste bubônica que matou aproximadamente 30 milhões de seres humanos, mais de um terço da população total da Europa. Imagina o estrago que ela causou na economia.

Estas análises anteriores ajudam-nos a entender o sofrimento do feudalismo (prática econômica da época) e o que as civilizações antigas apresentaram quando enfrentaram grandes pandemias.

No entanto, os problemas que o capitalismo vem mostrando para enfrentar o COVID-19 não podem ser atribuídos à falta de técnica ou ao fraco desenvolvimento das forças produtivas e governamentais. O uso de sistemas ou elementos informatizados e eletromecânicos para fins industriais, o desenvolvimento de tecnologias destinadas a fins agrícolas e redes de logística em escala internacional, nos mostram que não é a falta de recursos que impede uma resposta organizada para enfrentar a pandemia concordam?

Abraços, Sineimar Reis!!!

 


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