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                           Stefan Salej

 O mundo inteiro só fala em Ebola, doença ainda incurável que assola parte da África e esteve na origem da morte de mais de dez mil pessoas. Tanto a Europa como os Estados Unidos só começaram a se preocupar com ela quando apareceram os primeiros doentes nos seus próprios países e não eram negros africanos. E também aí descobriram, mais uma vez, que ainda não desenvolveram remédios para essa doença terrível e mortífera. As medidas de prevenção, que incluem o envio de tropas militares norte-americanas à África, isolamento de passageiros  vindos daquele continente e mais  isolamento de pacientes suspeitos, são o único disponível. A cura, que depende de pesquisa e fabricação, ainda demora e esperamos que a doença seja pelo menos limitada, se não isolada, para não se tornar uma epidemia como foi a peste negra há um século atrás, que dizimou gente tanto na Europa como nos Estados Unidos.


 
No Brasil, não é preciso ter muito receio dessa doença. Se vier algum doente a ser descoberto, as autoridades sanitárias têm condições de fazer o necessário isolamento e provavelmente estancar a propagação da doença. Nesta hora, ajuda a crença de que deus é brasileiro.

 
Mas, a principal razão de reduzir a nossa preocupação com a ebola é que a ocorrência na área de doenças e epidemias no Brasil é muito forte. Entrando o calor e as chuvas, mesmo com a seca que temos em algumas regiões, a dengue agora com um novo companheiro, com nome esquisito, dominam e mantêm as nossas populações bem ocupadas. Quem não teve e não conhece alguém que já teve dengue? As cidades estão hoje ocupadas por mosquitos e, mesmo após a campanha eleitoral, onde a saúde poderia ter sido um dos mais importantes itens da nova agenda, continuam vulneráveis, com suas populações.

 
Dengue, doença de Chagas, tuberculose, da qual poucos se gabam e que está presente em grande escala na população brasileira, são só algumas doenças que estão, junto com a AIDS, fazendo  parte da condição de saúde do brasileiro. E aí vem a pergunta, porque? É questão do biotipo de população ou do desenvolvimento econômico que gera essas doenças, o clima do país, ou que diabo é isso que temos, por exemplo, a doença de Chagas já há séculos e não a eliminamos e que não damos conta da dengue. E vale a pena lembrar aqui que conseguimos eliminar a terrível pólio.

 Entre as inúmeras respostas, está a questão da prioridade política para combater essas doenças. Não do pessoal em Brasília, mas na sua comunidade. Esgoto, canalização, água, tudo o que vem por baixo da terra não interessa aos políticos fazer porque o investimento é alto e dizem que não aparece. Trocar esgoto por iluminação é iluminar a desgraça, mesmo que isso gere certo conforto e segurança. A água, que está faltando para quem a tem, falta muito mais para quem não a tem e não  vai ter tão cedo.

 E se não se resolver esses problemas, dificilmente vão se resolver os problemas das doenças. A isso se deve também acrescentar a prioridade da pesquisa médica para a saúde pública. Custa dinheiro, é demorada e é dever público. Mas, é dever do cidadão cobrar do seu político, vereador, prefeito, deputado e outros as soluções e prioridades.

 

Dengue é com você,companheiro!


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