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Remisson Aniceto*



O poeta ao falar de si fala dos outros, 
que cada um tem um quê do outro. 
Tudo é como se fosse um amarrio de cordas 
seguidas, compassadas, continuadas. 
O poeta ao falar dos outros fala de si, 
que cada um outro tem um quê de nós, 
cada um vive a vida alheia sem saber 
e morre na morte do outro. 
Cada poema é impessoal, é de todos, 
ainda que impregnado de evidências da mão. 
O meu seu poema dele não existe.



*Remisson Aniceto, é mineiro de Nova Era, cidade vizinha da Itabira de Drummond, é escritor.

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Remisson Aniceto*




Devo partir hoje, 
o mais tardar amanhã. 
E não quero que me vejas hoje, 
para não guardares de mim uma saudade triste, 
uma saudade recente, 
pois agora estou assim, triste, 
por saber que hoje, o mais tardar amanhã, 
não poderei mais te ver. 
Quero que guardes de mim 
uma lembrança feliz de ontem, 
quando rimos, quando brincamos, 
quando meus olhos brilhavam ao te ver, 
quando eu ainda não sabia que ia partir. 
Não quero te ver hoje, 
para que guardes de mim 
apenas o que viste ontem nos meus olhos 
e o que sentiste no meu corpo. 
Quero que fique contigo 
apenas o que levarei de ti comigo: 
alegria, alegria, alegria!



*Remisson Aniceto
, é mineiro de Nova Era, cidade vizinha da Itabira de Drummond, é escritor.

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Remisson Aniceto*

 
Contraídos o risório e o zigomático,
Explode em ti sonora gargalhada.
Do veneno do teu riso tão elástico
Minhas cordas também são contagiadas.
Tudo em ti é motivo de euforia
E até o vento faz-me cócegas passando.
De tudo rimos e na falsa alegria
O teu riso com o meu riso vai rimando.
Com o riso tu me enganas e eu te engano;
Se sorrimos, damos bah! para a tristeza.
Riamos, que o riso encobre o dano.
Devemos rir, pois só o riso nos sobeja.
Serão bobos? vão dizer. Somos insanos!
E talvez rindo, a triste Morte não nos veja.



*Remisson Aniceto, é mineiro de Nova Era, cidade vizinha da Itabira de Drummond, é escritor.

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Remisson Aniceto*


Ó Rosa que no Céu estás plantada, 
Rosa alva dos meus sonhos arrancada. 
Tens a cor da bela nuvem em claro dia, 
Perfumando os céus azuis da Fantasia. 

Ó Rosa santa, das flores mor-rainha, 
Tu perfumaste o jardim da vida minha. 
Triste Flor na primavera colhida 
Por quem de inveja me roubou a fé na vida. 

Etérea Flor, se sem querer foi que partiste, 
Foge do teu anjo guardião nalgum descuido. 
Quem te quer mais que o Céu na Terra existe. 

Que te levassem nada fiz por merecer. 
Vem, Flor nívea, derramar teu santo fluido, 
No jardim que sem teu pólen vai morrer.



*Remisson Aniceto, é mineiro de Nova Era, cidade vizinha da Itabira de Drummond, é escritor.

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Remisson Aniceto*

Quando você chegar, 
deve encontrar um outro país, 
ser recebido por um povo que diz 
ter orgulho da sua nação. 
Quando você chegar, 
deve encontrar um país diferente, 
confiante na força da sua gente, 
moderno, seguro, sem corrupção. 
Quando você chegar, 
ouvirá histórias de um país encantado, 
de um povo forte, feliz, inspirado, 
que lutou como um bicho acuado 
por trabalho, saúde, casa e educação. 
Quando você chegar, 
menino ou menina, 
ainda haverá vestígios da revolução 
nos jornais, nas revistas, 
nos cartazes escritos à mão, 
das passeatas, dos brados, daquela canção 
cobrando o respeito à sua gente sofrida. 
De um povo que, cansado do seu pesadelo, 
saindo às ruas de forma atrevida, 
fazendo sua guerra sem o uso do aço, 
somente com suas vozes e erguendo os braços, 
libertou-se, por fim, daquela opressão. 
Quando você chegar, 
será (menino ou menina) bem mais feliz 
do que sua mãe, seu pai, seus irmãos, 
que lutaram tanto pra lhe deixar um país 
grandioso, belo, liberto, viril, 
como sempre deveria ter sido o Brasil.

*Remisson Aniceto, é mineiro de Nova Era, cidade vizinha da Itabira de Drummond, é escritor.