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As redes de relacionamentos facilitaram os encontros com pessoas do mundo inteiro
 

Com uma infinidade de recursos tecnológicos – e uma gama de promoções nas passagens aéreas -, a distância, seja de cidade, estado ou país, deixou de ser um impedimento para um romance que, sim, pode dar certo. É claro que poder sair para jantar no meio da semana, pegar um cineminha e dormir de conchinha é ótimo, mas a falta de proximidade física também pode, inclusive, ser algo extremamente estimulante e fazer com que a paixão emerja com mais força.

Com uma dinâmica própria, os amores à distância assustam muita gente e alguns desistem mesmo antes de tentar. Podem estar perdendo a oportunidade de encontrar o amor da sua vida ou de viver uma experiência inesquecível. As redes de relacionamento facilitaram o encontro de pessoas que moram em lugares diferentes, seja para uma amizade ou para algo mais sério. O casal Gabriela M., 26 anos, e Fernando S., 48, se encontrou no Meu Patrocínio – plataforma que aproxima Sugar Babies, jovens bonitas e ambiciosas, de Sugar Daddies, homens bem-sucedidos em busca de relacionamentos transparentes, com acordos pré-estabelecidos. Fernando, carioca, atualmente mora nos EUA e Gabriela em Florianópolis. Há quatro meses, o casal vem mantendo um contato exclusivamente virtual. Os compromissos profissionais dele ainda não permitiram que os dois se encontrassem. Mas, para compensar, programaram um primeiro encontro em grande estilo. No início de agosto, partem para uma viagem de duas semanas pela Europa e a Grécia foi definida como ponto de encontro. No mínimo, excitante!

Clemente Ganz Lúcio

*Clemente Ganz Lúcio

O sistema capitalista está sempre se reinventando. A busca desenfreada pela competitividade – lucro maior, obtido cada vez mais rapidamente - desloca as plantas das empresas para locais onde a relação entre custo do trabalho, salários e produtividade é favorável para o negócio e promove profundas mudanças tecnológicas em todas as áreas de produção de bens e serviços.

Onde essa estratégia encontra resistência social e/ou institucional, os donos do capital pressionam para que haja flexibilização absoluta dos contratos, da jornada de trabalho, dos salários e das condições de trabalho, visando criar mecanismos que deem garantias legais para reduzir o custo do trabalho. Quebra-se o poder sindical e a solidariedade de classe. Ao indivíduo-trabalhador é oferecida a liberdade para negociar a precariedade das condições de trabalho.

O emprego clássico – aquele com vinculo, em que o trabalhador atua em período integral e recebendo salário – perde terreno e já é menos de 25% da força de trabalho no mundo. Ou seja, em boa parte dos países, mais de ¾ dos trabalhadores têm empregos temporários, contratos com prazo determinado, jornadas parciais e vínculos informais.

As diferentes formas de precarização derrubam a renda das famílias, enquanto aceleram o crescimento da renda do capital e de acionistas. Crescem as desigualdades na distribuição funcional da renda. As famílias são pressionadas a aumentar a jornada dedicada a diferentes trabalhos precários, que oferecem baixos salários, para compor a renda.

O Brasil, sintonizado com essa “modernidade” – sim, chamam isso de modernidade -, abre a economia à avidez dos investidores internacionais que procuram bons negócios. A institucionalidade das relações de trabalho no país atrapalha esse plano, porque não é suficientemente flexível para reduzir o custo do trabalho.

Qual a estratégia? Criar uma nova institucionalidade, capaz de proteger as empresas e seus investidores, com o objetivo de criar um sistema de relações de trabalho que processe, de maneira permanente e segura, uma redução adequada do custo do trabalho.

O projeto de reforma trabalhista elaborado por agentes dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) é perfeito nesse aspecto, porque faz uma mudança institucional estrutural e de longo prazo. O Brasil ampliará a inserção global com instituições laborais capazes de oferecer a máxima flexibilidade nas formas de contratar, definir jornada e fixar remuneração. A precarização sem fronteiras será autorizada e legalizada.

E os impactos disso tudo sobre as condições de vida, a coesão social, a demanda e formação do mercado interno, a dinâmica do desenvolvimento econômico e social, a soberania? A resposta a essas questões exige outro projeto de desenvolvimento de caráter nacional. Por isso, o futuro se abre como um enorme desafio, exigindo as velhas e sempre renovadas lutas sociais e políticas!

 *Clemente Ganz Lúcio é  Sociólogo, diretor técnico do DIEESE, membro do CDES – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e do Grupo Reindustrialização 

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