Remisson Aniceto*

 
Contraídos o risório e o zigomático,
Explode em ti sonora gargalhada.
Do veneno do teu riso tão elástico
Minhas cordas também são contagiadas.
Tudo em ti é motivo de euforia
E até o vento faz-me cócegas passando.
De tudo rimos e na falsa alegria
O teu riso com o meu riso vai rimando.
Com o riso tu me enganas e eu te engano;
Se sorrimos, damos bah! para a tristeza.
Riamos, que o riso encobre o dano.
Devemos rir, pois só o riso nos sobeja.
Serão bobos? vão dizer. Somos insanos!
E talvez rindo, a triste Morte não nos veja.



*Remisson Aniceto, é mineiro de Nova Era, cidade vizinha da Itabira de Drummond, é escritor.

Remisson Aniceto*

Quando você chegar, 
deve encontrar um outro país, 
ser recebido por um povo que diz 
ter orgulho da sua nação. 
Quando você chegar, 
deve encontrar um país diferente, 
confiante na força da sua gente, 
moderno, seguro, sem corrupção. 
Quando você chegar, 
ouvirá histórias de um país encantado, 
de um povo forte, feliz, inspirado, 
que lutou como um bicho acuado 
por trabalho, saúde, casa e educação. 
Quando você chegar, 
menino ou menina, 
ainda haverá vestígios da revolução 
nos jornais, nas revistas, 
nos cartazes escritos à mão, 
das passeatas, dos brados, daquela canção 
cobrando o respeito à sua gente sofrida. 
De um povo que, cansado do seu pesadelo, 
saindo às ruas de forma atrevida, 
fazendo sua guerra sem o uso do aço, 
somente com suas vozes e erguendo os braços, 
libertou-se, por fim, daquela opressão. 
Quando você chegar, 
será (menino ou menina) bem mais feliz 
do que sua mãe, seu pai, seus irmãos, 
que lutaram tanto pra lhe deixar um país 
grandioso, belo, liberto, viril, 
como sempre deveria ter sido o Brasil.

*Remisson Aniceto, é mineiro de Nova Era, cidade vizinha da Itabira de Drummond, é escritor.

 

Julio Gavinho*

Michael Joseph Jackson foi um famoso cantor, compositor, dançarino, produtor, empresário e filantropo norte americano. Segundo a revista Rolling Stone faturou em vida cerca de sete bilhões de dólares fazendo dele o artista mais rico de toda a história. Esteve no Brasil por três vezes, sendo a mais notória para gravar o clipe de “They don’t care about us” na favela Dona Marta, no morro de Santa Marta. Até ergueram uma estátua do popstar no mesmo lugar do clipe, uma no após sua morte. 

A obra, produzida pelo artista plástico Estevan Biandani, retrata o cantor com o mesmo visual deste clipe, olhando pela favela. A laje também ganhou um mosaico do cantor feito pelo Romero Britto. O espaço que antes já era chamado de "Laje Michael Jackson" recebeu o nome do cantor oficialmente. 

Esta semana, uma foto da estátua do cantor com um fuzil AR15 pendurado no pescoço, circulou pela internet e logo viralizou mundo afora. Atribui-se a traquinagem a quadrilha do bandido “mãozinha”, supostamente caçado pela polícia do Rio. 

Interessante que este morro e seus bandidos estão sempre aí, na mídia com seus feitos “heroicos”, como já retratou o Caco Barcelos no seu fabuloso livro “Abusado”, nunca tão atual quanto hoje. Agora, o trafico recrutou o pobre Michael, post mortem.

Ok, vamos cut the crap, como dizem os sumidos (ou fugidos) turistas norte americanos. 

Rio é o cartão de visitas do Brasil turístico. O que acontece no sovaco do Cristo repercute como uma caixa de ressonância em todo o Brasil, no que tange publicidade. O que acontece com a sofrida população carioca repete-se no que acontece com turistas, em todas as circunstancias possíveis. Somos todos, locais e gringos, vitimas da mesma miséria. “Miséria é miséria em qualquer parte”, nos ensina o Paulo Miklos. 

Chega de pombas brancas, chega de passeata, chega de político acusado ou condenado por corrupção lambendo a miséria deste povo. O carioca não tem mais a quem recorrer, senão aos espectros do MP que ainda mantém uma pouca dignidade no trato com a coisa pública. Não podem meus conterrâneos, contar com a polícia que está entregue as baratas e que foi tratada com raiva pelos governos de esquerda. Quer confirmar minha tese? Visite o caustico hospital da PM para onde vão policiais e familiares em caso de perfuração à bala ou de resfriado nos filhos. Não iria tão longe a ponto de dizer que este abandono empurrou a massa grossa da PM do Rio à criminalidade, mas vá: “pau que dá em Chico dá em Francisco”. 

Se a miséria empurra o jovem favelado para a criminalidade, porque não o servidor de 19, 20, 21 anos, com uma arma na cintura? Estamos na hora da verdade. Como no título e na violência sociológica do filme "Precisamos falar sobre Kevin" de 2011, aonde uma mãe (turismologa!) enfrenta o inferno de viver na comunidade aonde seu filho atirou e matou colegas e professores da escola, precisamos falar sobre o Rio de Janeiro. Chega de romantismo idiota para reerguer o lugar mais belo do mundo. Olhemos o Rio como ele é: chega de esconder a maldade e vilipêndio de seu povo embaixo do tapete de uma cansada beleza que já não encanta nem audiência de novela. Só a intervenção federal ampla oferece o horizonte plausível. 

Na minha época de Rio Convention & Visitors Bureau, entre 93 e 97, rodávamos o mundo promovendo o Rio e suas belezas, mas já sabíamos que a natureza não encheria a barriga de um setor produtivo inteiro. Por isso criamos o conceito de capital tropical da cultura com música, arquitetura, história e gastronomia para fortalecer um destino completo e não um balneário. Depois, junto com a EMBRATUR (saudades do Caio Carvalho), demos outra volta no mundo com o programa "My Rio" aonde mostrávamos uma cidade de todos os sotaques, todas as vontades e diversa social e culturalmente. Fomos um grupo pequeno, quase quixotesco, capitaneado por grandes empresários como o João Nagy e Chico Havas, e apoiados pela VARIG e pelas embaixadas do Brasil na yellow brick road do mundo. 

Se eu fosse sair em road show de novo, para vender o Rio junto aos grande operadores e organizadores de eventos internacionais, não saberia o que dizer. Ficaria mudo, tal qual aquela dona Eva do filme. “Let”s talk about Kevin”?

Não: Let’s talk about Rio.
 

*Julio Gavinho é executivo da área de hotelaria com 30 anos de experiência, fundador da doispontozero Hotéis, criador da marca ZiiHotel,  sócio e Diretor da MTD Hospitality  

 

João Carlos Marchesan*

     

Nós precisamos crescer. Não podemos mais conviver com taxas negativas de  desempenho setorial. Os nossos números divulgados nessa edição indicam um crescimento de 1,7% em julho em relação ao mesmo mês do ano anterior, mas uma queda de 1,6% em relação a junho deste ano. Na prática, isoladamente, sabemos que esses números ainda não são suficientes para indicar uma tendência, mas podem pelo menos sinalizar uma diminuição no ritmo de queda, suficiente para pensarmos que o crescimento poderá vir.

De outro lado, também ficamos otimistas com atendimento do nosso pleito do REPETRO. Foi uma mudança que se julgava quase impossível, uma vez que o governo não julga a mudança como estratégica para o setor de óleo e gás do ponto de vista das operadoras. Essa decisão abre espaço para negociação de outros regimes especiais e nos dão a dimensão precisa que a nossa mobilização começa a surtir efeito em termos dos pleitos que necessitamos.

Gerou otimismo o fato de conseguirmos vencer a batalha da  MP 774 da reoneração da folha de pagamentos, que foi apresentada pelo governo. Embora a equipe do Ministério da Fazenda tenha trabalhado a base parlamentar do governo, a ABIMAQ teve êxito, pois a MP que reonerava as folhas de pagamento de nossas empresas, não prosperou. No entanto, o mesmo texto foi apresentado pelo deputado Rodrigo Maia (base do governo), presidente da Câmara, mas desta vez na forma de PL – Projeto de Lei. Assim, a medida proposta não passa a ter validade de lei como ocorre nas MP's. O PL foi colocado com pedido de urgência constitucional, portanto a Câmara tem 45 dias para votar e depois o Senado tem outros 45 dias, o que nos dá um prazo  para trabalharmos contra a proposta.

Toda essa agenda é resultado de muito empenho e precisamos continuar insistindo junto ao governo e Congresso para a criação de medidas que favoreçam o investimento, mas também que promovam as reformas necessárias para que o nosso setor, a indústria em particular e o país em geral, voltem a crescer, gerar emprego e riqueza.

Para isso, precisamos insistir nas reformas estruturais que possam efetivamente fazer a diferença. Uma delas, a política, precisa acabar com o atual sistema onde temos 35 partidos legalizados e 30 em fase de legalização, enquanto na Câmara Federal temos 28 bancadas com 28 líderes, o que permite o aparecimento das chamadas ‘legendas de aluguel’ com participação no fundo partidário. Teríamos que ter partidos mais bem definidos ideológica e programaticamente.

Precisamos ainda da reforma tributária, que se constitui na reforma mais importante para o setor de máquinas, para simplificar o atual sistema tributário e desonerar a produção. Enquanto em outros países existe apenas um grande tributo sobre o consumo (um IVA ou um IVV) no Brasil temos 27 ICMS, pois cada Estado tem o seu e ainda mais todos os tributos federais, como o IPI, o PIS, a Cofins, a Cide, o ISQN... recaindo sobre o consumo .O atual sistema encarece a produção diminuindo a competitividade das nossas empresas e facilita a sonegação e a informalidade. A escrituração fiscal das nossas empresas custa muito pela irracionalidade do sistema tributário e esse é outro grande entrave ao nosso crescimento.

Essa é a reforma que precisamos. Junto com a reforma tributária, teremos que discutir ainda um novo pacto federativo, definindo mais claramente as competências, as atribuições de cada ente federativo (União, Estados e Municípios) e o que vai financiar estas atribuições, definindo quem é responsável pelo que.

Sabemos da necessidade de perseguir essas reformas e a defesa dos nossos pleitos, principalmente para seguir com foco no crescimento.

*João Marchesan é presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos).

 

* Gerson Mineo Sakaguti

Após quase quatro anos, a taxa Selic chegou à marca de um dígito no mês de julho. Ainda assim, a expectativa dos economistas é de que os cortes sigam rotineiros nos próximos meses e levem o índice, até o fim de 2017, a algo próximo de 7,5% ao ano - ou até mais baixa, dependendo a projeção. A tendência deve ser encarada de forma positiva pelo mercado e pode proporcionar ótimos rendimentos a quem souber investir de forma precisa.

Em primeiro lugar, vale apresentá-la sem “economês”: Selic significa Sistema Especial de Liquidação e de Custódia. Esse índice representa a taxa de juros seguida por bancos nos empréstimos overnight (ou seja, operações que duram apenas um dia), cujas garantias são os títulos públicos. Por isso, há quem a chame de “taxa básica”. Quem define as variações é o Copom (Comitê de Política Monetária), órgão composto por membros do Banco Central.

O índice existe desde 1996 e já chegou a ser de 45% ao ano. Em poucas oportunidades, ele esteve abaixo dos dois dígitos, o que torna o momento atual mais especial. Para que haja tendência de queda, é esperado que a economia tenha inflação controlada, como acontece no cenário de hoje após um longo período de alta. Quando o governo aumenta esse indicador básico, entende-se que as tarifas para empréstimos acompanharão esse crescimento e ficará mais caro obter crédito no país. O efeito direto é a redução do consumo, forçando uma queda dos preços no mercado com a lei da oferta e demanda.

Já quando a Selic baixa, o resultado esperado é inverso: com a segurança de que a inflação está controlada, o crédito é incentivado e, assim, o consumo encontra condições para crescer, gera empregos e movimenta o comércio. Portanto, podemos entender que o Banco Central sente confiança de que a economia, hoje, pode se desenvolver de forma sólida e o risco de uma disparada inflacionária é baixo.

Diminuir o indicador sem cautela trouxe consequências ruins para o mercado brasileiro no passado, mas hoje há um consenso de que o contexto está favorável. Sendo assim, podemos sentir otimismo de que a recessão está ficando para trás e, embora tenhamos muito entraves políticos e estruturais, os próximos meses devem ser positivos. Por outro lado, muitos investidores podem estar de certa forma descontentes: fundos com rendimentos ligados à Selic estão entre os mais populares do país (aliás, a própria poupança rende menos quando a taxa básica está menor que 8,5%).

Mas sempre há opções rentáveis, o segredo é fazer a leitura do cenário econômico e aportar o dinheiro nas aplicações corretas. Por isso, o momento é oportuno para buscar FICs (Fundos de Investimento em Cotas), que, resumidamente, são fundos que investem em cotas de outros fundos, com uma carteira bem distribuída e, assim, menos sensíveis a variações de índices como o IPCA ou a própria taxa básica de juros.

Participando de um fundo desse tipo, o investidor conta com a assistência de especialistas que acompanham as movimentações de mercado para se certificar sobre onde está a melhor rentabilidade. Essa ajuda de analistas experientes é fundamental. No entanto, é importante estudar bem em qual FIC se vai investir e analisar a sua média histórica de lucros e a solidez da instituição que o oferece.

* Gerson Mineo Sakaguti é Diretor de Captação e Câmbio da SRM