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Por ordem judicial, 27 famílias foram despejadas, e casas do Beco dos Fagundes serão derrubadas nesta quarta-feira (5/1). Moradores entram em desespero

“Morro, mas não saio daqui. Estou preparada para bala e para caminhão passar por cima de mim”, afirma, aos prantos, Zélia Rodrigues da Silva, de 42 anos. Ela é uma das moradoras do Beco dos Fagundes, no Bairro Jardim Teresópolis, em Betim, que recebeu ordem de despejo da Justiça. A ação, movida pela prefeitura levou em consideração um laudo da Defesa Civil que atestou que 27 casas estão em área de risco de deslizamento.

As famílias receberam a ordem para sair de suas casas até esta terça-feira (4/1), pois a demolição dos imóveis está marcada para a quarta-feira (05/01/2022).

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Zélia Rodrigues da Silva é moradora do Beco dos Fagundes e diz resistir ao despejo previsto para esta terça-feira (4/1). Ao fundo, o barranco com lonas é o local que a Defesa Civil atestou risco geológico (foto: Leandro Couri/EM/D.A. Press)

Zélia mora no local desde que nasceu. Ela e outros moradores do Beco dos Fagundes dizem que vão resistir e não sairão de seus imóveis. Sua casa tem dois andares, com três quartos, sala, cozinha, banheiro e estava planejando erguer um terraço.

“É uma casa muito boa. Está sendo muito doído. Minha mãe tem 75 anos e mora ao lado. Não existe estudo, Lei, não existe nada. Isso está tirando a nossa dignidade. E se é para perder a minha dignidade eu vou perder a minha vida. Vai vir, vai derrubar, mas se eu tiver que morrer eu vou morrer. Não tenho medo. Eu quero que faça o certo para o povo”, diz Zélia, sem conseguir segurar as lágrimas.

A decisão de despejo foi baseada em laudos da Defesa Civil que classificou o local como sendo de alto risco de deslizamentos de terra. Em janeiro de 2020, em um barranco próximo a esta área, houve um deslizamento que soterrou e matou duas pessoas. Segundo os moradores, na época, foi prometido pela prefeitura a construção de um muro de arrimo na localidade, o que não foi feito.
 
Os moradores alegam que as 27 moradias estão afastadas do barranco que deslizou em 2020 cerca de 200 a 300 metros e as construções estão em área plana, o que não coloca as casas em risco.
 
Segundo o advogado popular que está defendendo os interesses dos moradores, Edson Rodrigues Soró, um documento será protocolado na tarde desta segunda-feira (3/1) para tentar rever a decisão de despejo e demolição.

Além de contestar o laudo, o advogado pontua que o valor do Aluguel Social, oferecido pela Prefeitura, é insuficiente para as famílias pagarem um outro imóvel compatível. Além disso, as famílias não querem ir para as casas populares, fornecidas pelo município, no bairro Citrolândia, pois são residências muito menores (36m²) e incompatíveis com o número de residentes em cada família.
 
Alguns moradores, no entanto, já começaram a demolir alguns barracos para salvar o que ainda puder reaproveitar. 
 

Prefeitura diz que local oferece muito alto risco geológico

 
Em nota, a Prefeitura de Betim informou que, "cumprindo determinação da Justiça" vai demolir uma área construída, popularmente conhecida como Beco Fagundes. Segundo a nota, o local, que possui extensão de cerca de 14.200 metros quadrados, "foi caracterizado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) como de muito alto risco geológico. O laudo foi constatado pela Defesa Civil do município".
 
A nota diz ainda que, em janeiro de 2020, um expressivo volume de chuvas atingiu a cidade, provocando danos como um grave deslizamento de terra na região que culminou na morte de seis moradores - dois deles do Beco Fagundes - e no colapso de diversas edificações da área.
 
"Desde então, várias pastas da administração municipal, como Assistência Social, Defesa Civil, Habitação, dentre outras, se mobilizaram para acompanhar de perto os moradores do local e realizar as ações necessárias. Com isso, a prefeitura realocou as famílias moradoras da área, porém muitas delas retornaram ao Beco, o que agrava a situação diante da possibilidade de novos acidentes", diz a prefeitura no comunicado.
 
"Agora, para descaracterização total da área de risco e preservação da vida da população local, 75 casas - 27 delas ainda ocupadas - e dois prédios serão demolidos. Para essas famílias que ainda vivem no local, a prefeitura oferece duas possibilidades: a inclusão no programa Aluguel Social ou a mudança imediata para casas populares construídas pela gestão municipal", informa o texto.
 

Uai/EM

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