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Santíssimo Resort, localizado em Tiradentes,

com infraestrutura de alta qualidade é uma ótima opção para as férias em família

Inaugurado em 2013, o hotel preza pelo melhor atendimento aos seus clientes, oferecendo serviços exclusivos

 

Localizado na famosa e encantadora cidade histórica de Tiradentes, em Minas Gerais, o Santíssimo Resort proporciona uma infraestrutura de alta qualidade para os hóspedes e é uma ótima opção para as férias em família. O resort oferece piscina com espelho d’água de 360°, playground, sauna, ofurô, academia, fitness center com piscina aquecida, sala de jogos, sala de leitura, sala de massagem e home-cine. Para maior conforto do cliente ainda são disponibilizados serviços de room-service, internet wi-fi, lavanderia, heliponto.

De acordo com o diretor do Santíssimo Resort, Lúcio Flávio Barbosa, desde a inauguração, o hotel além de contar com infraestrutura de alta qualidade oferece diversas opções de entretenimento, relaxamento e serviços exclusivos para a comodidade dos clientes.

O Santíssimo Resort também é uma excelente opção para a realização de eventos de diferentes segmentos. Foi inaugurado um Centro de Convenções com estacionamento exclusivo e capacidade para mil pessoas. Totalmente equipado para receber eventos corporativos e festas em geral, possui em sua estrutura: salão principal de convenções, foyer para recepções e buffet, salas de reuniões e outros. “Estamos muito satisfeitos com esse interesse que o Santíssimo despertou nos empresários e instituições de renome. Inclusive, alguns eventos que normalmente ocorriam em outros centros, como Belo Horizonte, agora vêm para Tiradentes. Nossa estrutura proporciona isso e é ótimo para a cidade. Com a criação do novo Centro de Convenções, queremos elevar Tiradentes a outro patamar”, ressalta Lúcio.

Com a proximidade das férias escolares tão esperadas pelas crianças e pelos seus pais o hotel tem toda a estrutura que a família merece. Os pais poderão se divertir e descansar sem se preocuparem com a criançada, pois o hotel oferece baby-sitter e recreação, além da segurança e tranquilidade de acompanhamento de monitores. Uma diversão garantida.

 

Quem já conhece o resort

Dentre os milhares de clientes que já se hospedaram no resort, os atores Alexandre Nero, Nélson Xavier, Regiane Alves, Alessandra Negrini, Christopher Chaplin (filho do Chaplin). O hotel também já recebeu a cantora Fernanda Takai, o Padre Fábio de Melo e jornalistas esportivos.

 

Sobre o Santíssimo Resort

Durante quatro anos de obras, 60 funcionários trabalharam mês a mês para construir em uma área verde de 75 mil m² uma infraestrutura diferenciada: são 4,5 mil m² de área construída, com 40 apartamentos Luxo, oito apartamentos Luxo Superior e oito suítes Premium, distribuídos em quatro blocos.  O Santíssimo oferece piscina com espelho d’água de 360°, playground, sauna, ofurô, academia, fitness center com piscina aquecida, sala de jogos, sala de leitura, sala de massagem e home-cine. Para maior conforto do cliente ainda são disponibilizados serviços de room-service, internet wi-fi, lavanderia. Ainda conta com heliponto, centro de convenções, bistrô, piscina externa com bar molhado, área de recreação para crianças e área social, além de sala de leitura e sala de estar com lareira.  Tudo isso localizado a apenas 100 metros do Largo das Forras, Centro Histórico de Tiradentes.

A novidade é o novo centro de convenções do Santíssimo, com capacidade para mais de mil pessoas.

 

Reservas

 

Quer conhecer o Santíssimo Resort? Visite o site www.santissimoresort.com.br e a página no Facebook www.facebook.com/SantissimoResort Faça a sua reserva pelos telefones (32)3355-2198 / (32)3355-2193 ou pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

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O Réveillon Be Happy celebrará o início de 2016 mantendo os mesmos padrões de qualidade da festa em Búzios

 

Por treze anos, o famoso vilarejo de Búzios, Região dos Lagos do estado do Rio de Janeiro, recebeu a festa de Réveillon Be Happy. O evento é conhecido e desejado em todo o país por seu padrão de qualidade, sua sofisticação e pelo deslumbre das paisagens naturais do povoado fluminense. O que há de novo sobre o Be Happy é que todo aquele requinte virá para Belo Horizonte.

Outros atrativos da comemoração são os Comes & Bebes. O open bar conta com vodca importada, uísque 8 anos, energético, cerveja, suco, refrigerante, água e a tradicional bebida da ocasião, o espumante. Já o open food tem as delícias do Eddie’s e o buffet do Speciali. Também será servido um jantar para os convidados.

Na virada de 2015 para 2016, a festa acontecerá no Domus XX com todo o seu requinte e elegância através de um estilo colonial cercado de paisagismo. Os ingressos já estão à venda e podem ser adquiridos tanto em lojas físicas quanto por sites de compra.

 

Sobre as atrações:

Banda Classic

Com apenas dois anos de mercado, a Banda Classic está se tornando um dos ícones do casting da Best Produtora, por sua proposta inovadora de tocar rock com house, em versões mashup e remixes exclusivos. O set list surpreende o público com grandes sucessos de The Strokes, The Killers, Red Hot Chilli Peppers, Daft Punk, Two Door Cinema Club, Sweedish House Mafia, entre outros. A energia da banda resulta em uma pista animada e eletrizante. Além de se apresentar nas principais casas de rock de Belo Horizonte, a banda entrou no circuito de festas badaladas como Camarim, Mundial de Wake Board, Bud Mansion e nas festas assinadas pelo Secreto.

 

Rick e Nogueira

A dupla Rick e Nogueira lança seu primeiro álbum, o CD que leva o nome da canção de trabalho, “De Boteco em Boteco”. É composto por dez canções inéditas e autorais, destaque para “Bebi de Graça”, que conta com a participação de Fernando e Sorocaba e “Seu Vagabundo”. Uma das marcas sonoras da dupla é a identidade vocal de cada um. Rick tem uma voz marcante e muito forte, já Nogueira canta de maneira suave e que complementa a primeira. Com a produção de Sorocaba e Raí Ferreira, as canções trazem arranjos simples e com base de instrumentos acústicos. O álbum tem influência das músicas de bares e das noites, ênfase para sanfona, violão e bateria.

 

Dj Valber

Foi durante 11 anos Dj residente da boate Na Sala, e se destacou ao longo dos anos tocando House-music e suas vertentes, Foi o primeiro Dj a se apresentar para o grande público em Escarpas do Lago e desde então esteve presente em todos os anos nas festas do Balneário. Valber em seus sets procura sempre fazer uma maior variação de estilos para criar mais vibração na pista.

 

Serviços

Local: Domus XX (Av. Toronto, 20, Jardim Canadá).

Data: Quinta-feira, 31 de dezembro de 2015.

Horário: 22h

Valores dos ingressos: R$190 feminino e R$250 masculino, no primeiro lote.

Pontos de Venda: Lojas e quiosques da Central dos Eventos e nas lojas Chilli Beans do Minas Shopping, Pátio Savassi e BH Shopping.

Venda online: www.sympla.com.br/ e www.centraldoseventos.com.br/.

Informações: (31) 3582-3060 / 98814-4000

Realização: Brug Entretenimento

Facebook: https://www.facebook.com/behappy.reveillon/

Instagram: @behappyreveillon

Classificação etária: 18 anos

Estacionamento no local

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O Pátio Savassi une a tradicional liquidação da Multiplan, o Lápis Vermelho, ao maior evento do varejo mundial, a Black Friday. No dia 27 de novembro, sexta-feira, mais de 75 lojas do shopping oferecerão descontos a partir de 50% aos consumidores. Nesse dia, as lojas ficarão abertas até às 23h(*).

Das lojas participantes, destaque para Lala, com peças que chegam a 70% de desconto. Cantão, Scala, Sketch, Loungerie, Jogê e Vivara terão pelo menos um produto com 60% de desconto. Algumas estarão participando de uma ação que oferece ainda mais vantagens para os clientes: fazendo compras durante a Black Friday, o cliente ganha um cupom com mais descontos para usar em compras futuras.

Para a gerente de Marketing do Pátio Savassi, Rejane Duarte, essa é uma oportunidade imperdível para os clientes adiantarem suas compras de Natal, com preços atraentes e descontos que realmente valem a pena. "É bom lembrar que, nesse dia, o cliente terá duas chances de ser premiado com o Tracker LTZ, pois o shopping sorteará dois carros da sua promoção de Natal, sendo o primeiro às 13h e o segundo às 23h", afirma.

As grandes ofertas, com as fotos dos produtos, serão divulgadas nos canais do Pátio Savassi no Facebook e no Instagram, nas lojas físicas e na Fan Page do Lápis Vermelho.

 

Parceria FUMEC

O Pátio Savassi fará uma parceria com o curso de Moda da Universidade FUMEC, trazendo os alunos para vivenciar um dia como produtores de moda no shopping. Eles irão montar looks usando peças das lojas e fotografar cada um. O resultado será publicado em uma galeria especial na rede social Pinterest, servindo de inspiração para os clientes.

(*) Horário facultativo.

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O reservatório da usina hidrelétrica Risoleta Neves (Candonga), em Santa Cruz do Escalvado, a 100 quilômetros de Mariana (MG), está sendo esvaziado às pressas, por causa do risco de rompimento da barragem de Germano, estrutura da empresa Samarco que ainda ameaça ruir. A ação deixou a população local perplexa e traz preocupação.

"Conforme a água está descendo, está acontecendo erosão da terra bem embaixo da Estrada de Santana", conta o técnico em mecânica Jarbas Antônio Lopes, de 54 anos, que havia levado parentes para ver a represa na manhã de ontem. "Se despencar mais um pouco, vai bloquear a estrada", diz, referindo-se a uma estrada rural usada por moradores e trabalhadores das fazendas de gado ao redor da barragem. "O reservatório estava cheio antes de acontecer isso. No dia em que a lama chegou, até aqui ficou com pó", conta o técnico, nascido na região, que costuma visitar familiares no fim de semana.

A ideia é que, caso Germano estoure, o reservatório de Candonga, que tem capacidade para 544 milhões de metros cúbicos, sirva como barreira de contenção para a lama, impedindo que ela siga pelo Rio Doce, a exemplo do que ocorreu com os rejeitos das Barragens Fundão e Santarém da Samarco.

No centro de Santa Cruz do Escalvado, cidade de 8 mil habitantes distante cerca de 5 quilômetros da barragem, moradores dizem não acreditar que o reservatório será esvaziado. "Não pode. Muita gente pescava por lá até a lama chegar. Se essa barragem de Mariana estourar e a lama vier toda para cá, quem garante que a represa vai dar conta? Se der, a lama toda vai ficar aqui para sempre?", indagou o ajudante-geral Jeferson Rodrigues, de 22 anos.

Na usina, poucos carros e funcionários podem ser vistos do portão para fora. As comportas já estavam abertas desde o dia 7, dois dias depois do acidente em Mariana, e a produção de energia foi suspensa. A usina tem capacidade para produzir 140 MW/hora, cerca de um sexto o que pode produzir, por exemplo, a Usina Henry Borden, da Represa Billings, na região sul da capital paulista.

Barragem

O esvaziamento emergencial foi decidido na sexta-feira, 27, quando o juiz Michel Cury e Silva, da 1.ª Vara da Fazenda, teve acesso a relatório produzido pelo Centro de Apoio Técnico do Ministério Público Estadual. O relatório atesta comprometimento da barragem de Germano e foi feito com base em informações prestadas por empresas contratadas pela própria Samarco. A Justiça deu prazo de dois dias para esvaziamento da represa.

Até sexta-feira, o consórcio que administra a usina (formado pela Vale, uma das donas da Samarco, e pela Cemig, empresa de energia de Minas) informou que não havia sido notificado sobre a decisão da Justiça. A Samarco foi questionada sobre o caso, mas não respondeu. O consórcio que cuida da represa não atendeu nenhum de seus telefones neste domingo.

Anteontem, a Samarco divulgou nota em que afirma estar retirando peixes vivos, com ajuda de empresas terceirizadas e pescadores locais, do canal de adução da represa de outra usina hidrelétrica, Aimorés, também em Minas, que fica entre Governador Valadares (MG) e Colatina (ES). "Depois de recolhidos, os peixes são encaminhados para outros cursos d’água, que possuem as mesmas características de seu hábitat original", diz a nota.

Resumo

Além de destruir o distrito de Bento Rodrigues, a tragédia em Mariana já tem confirmadas 11 mortes. Cinco funcionários da Samarco e três moradores do vilarejo estão desaparecidos e dois corpos aguardam identificação. Há uma semana, a lama que vazou da barragem, e atingiu o Rio Doce, chegou à foz do curso d’água, no distrito de Regência (ES).

Justiça

Pela decisão judicial, tomada a pedido do Ministério Público de Minas e do governo do Estado, a Samarco também fica obrigada a informar o quadro de estruturas de apoio das represas chamadas Sela, Tulipa e Selinha. A mineradora terá também de prever "consequências e medidas emergenciais concretas", executar "integralmente as medidas emergenciais apresentadas nos estudos anteriormente citados, em caso de rompimento, bem como eventuais recomendações técnicas do Estado e do DNPM (órgão federal de fiscalização)". Prevê-se multa diária de R$ 1 milhão para caso de descumprimento.

Ação

O governo federal e os Estados de Minas Gerais e do Espírito Santo entrarão nesta segunda-feira, 30, com uma ação na Justiça para cobrar R$ 20 bilhões das empresas responsáveis pelo rompimento da barragem em Mariana (MG) e criar um fundo para reparação dos danos. Além da Samarco, a ação também terá como alvo a Vale e a BHP Billiton.

A medida foi anunciada sexta-feira, após a presidente Dilma Rousseff reunir-se no Palácio do Planalto com os governadores de Minas, Fernando Pimentel (PT), e do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB). A ação será coordenada pela Advocacia-Geral da União. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

Estado de São Paulo

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Por Laura Capriglione, enviada especial dos Jornalistas Livres, com fotos de Gustavo Ferreira, em Mariana (MG)

Arrancados de suas casas pelo tsunami gerado pelo rompimento das barragens Fundão e Santarém, repletas de lama tóxica, os moradores de Bento Rodrigues, arraial rural a 35 km do centro de Mariana, sofrem com outro tsunami: o de dúvidas, de mentiras e de dissimulação.



As barragens sinistradas pertencem à mineradora Samarco, fundada em 1977, controlada pela toda-poderosa Vale e pela anglo-australiana BHP Billiton. Décima maior exportadora do país, a empresa faturou R$ 7,6 bilhões em 2014 e apresentou um lucro líquido de R$ 2,8 bilhões. Apesar dessa contabilidade vistosa e de dizer em seu site na internet que preza pela vida “acima de quaisquer resultados e bens materiais”, os moradores de Bento Rodrigues reclamam que não havia nem mesmo uma simples sirene instalada e funcionando para alertar o lugarejo da ruptura das barragens. Poderia ter salvo vidas.

Agora, no rescaldo da tragédia, os habitantes de Bento Rodrigues suspeitam que a empresa esteja priorizando o salvamento de sua imagem institucional em detrimento das vidas humanas e dos animais, atropelados pelo avanço medonho da lama.

“Por que é que estão nos impedindo de entrar em Bento Rodrigues? A gente poderia ajudar na localização e no resgate dos desaparecidos e dos animais, porque conhecemos como ninguém a região, sabemos lidar com o mato. O que é que eles estão querendo esconder?”, perguntava um grupo de moradores indignados com o fato de serem mantidos à força longe de seu bairro.

“Por que não permitem que pelo menos alguns de nós entrem, para ver o que está acontecendo?”

 
Foto: Gustavo Ferreira / Jornalistas Livres

Neste sábado, o prefeito de Mariana, Duarte Júnior (PPS), confirmou que 28 pessoas encontram-se “desaparecidas” após o rompimento das barragens. Dessas, 13 são funcionários da Samarco e trabalhadores de prestadoras de serviço. Outros 15 desaparecidos são moradores de Bento Rodrigues, dos quais cinco são crianças.

O prefeito também reconheceu oficialmente uma segunda morte na tragédia. O corpo de um homem, ainda não identificado, foi encontrado no município de Rio Doce, a 100 km de Mariana, à beira de um rio, na lama. A primeira vítima reconhecida oficialmente foi um morador de Bento Rodrigues, que sofreu uma parada cardíaca ao ver o desastre.




























Foto: Gustavo Ferreira / Jornalistas Livres
 

Todas as vias de acesso ao subdistrito de Bento Rodrigues encontram-se fechadas. Só entra e sai quem tem carta de autorização. Dezenas de soldados da PM mineira guardam a estrada principal. A estradinha alternativa está intransitável, cenário caótico de argila, rochas, tocos de árvores e restos de vegetação espalhados. Ninguém passa por lá.

“A Samarco é acusada de um crime ambiental seríssimo, que pode ter causado dezenas de mortes, e é ela que ainda tem moral para cuidar da cena do crime? Que loucura é essa?”, reclama uma ativista ligada ao Movimento dos Atingidos por Barragens, quando um caminhão com gerador e luzes da Samarco ultrapassa tranquilamente a barreira policial que veda o ingresso dos moradores. (detalhe: na porta do caminhão, o logotipo da Samarco está tampado por um papel colado). Também camionetes e funcionários a serviço da empresa e devidamente autorizados por ela têm livre acesso ao local.

A Samarco emitiu uma nota oficial aos investidores internacionais apresentando suas supostas razões para proibir o acesso ao terreno sinistrado:

“Por razões de segurança, a Samarco reafirma a importância de não haver deslocamentos de pessoas no local do incidente, exceto das pessoas e equipes envolvidas no atendimento de emergência.”

Apenas a título de memória e, é claro, considerando a diferença de escala, durante as operações de busca e salvamento que se sucederam ao tsunami que varreu a Tailândia, em 2005, o trabalho corajoso e sem tréguas de centenas de voluntários, inclusive fazendo o resgate de corpos humanos e de animais e, foi imprescindível para que a desgraça não fosse ainda pior. Não se alegaram questões de segurança para impedir o trabalho da solidariedade.

“Como é possível que as vítimas sejam mantidas afastadas e o acusado entre e saia à vontade?”, pergunta Ângela, de 57 anos, que nasceu em Bento Rodrigues e agora vive em Catas Altas, vizinho, apontando para lugar nenhum, no vale entupido de lama. “Ali era a casa dos meus pais.” Só ela sabe onde.

Mas o que perturba mesmo os sobreviventes e faz aumentar a tensão na entrada de Bento Rodrigues é a movimentação de helicópteros da polícia, subindo e descendo da “zona quente”, como denominam os bombeiros a área central e mais perigosa da catástrofe.

Sem informações, proibidos de ver o que acontece no arraial, os moradores suspeitam que cadáveres humanos estejam sendo recolhidos do local e levados nas aeronaves para local ignorado. Duas testemunhas em Santa Rita Durão, localidade de Mariana que é passagem obrigatória para quem quer chegar a Bento Rodrigues, dizem ter visto viaturas do Instituto Médico Legal passando diante da delegacia em direção ao bairro sinistrado.

“Foram fazer o quê? A Defesa Civil não diz que um dos mortos oficiais foi encontrado longe e o outro já foi retirado no primeiro dia? Então, por que os carros funerários?”, indaga-se Maria do Rosário, funcionária em um comércio de alimentos.

Foto: Gustavo Ferreira / Jornalistas Livres













Bombeiros civis, convocados para ajudar a impedir o acesso dos moradores ao arraial, confirmam a existência de muitos animais ainda vivos no local… Mas já registram a presença pesada da morte, que se anuncia pelo cheiro adocicado e repulsivo da carne em putrefação.

Eles saem extenuados do local, depois de ajudar a deter uma moradora que, embrenhada no mato, tentava romper o cerco policial para achar a avó, desaparecida desde a quinta-feira. Segundo os bombeiros, a moça estava com o rosto e braços lanhados pela vegetação fechada, e com lama quase até o pescoço, tentando chegar à casa da parente. Ela resistiu fortemente aos que tentavam impedi-la de fazer sua busca. “Mas conseguimos retirá-la”, disse Paulo César, bombeiro civil de Nova Lima. A reportagem perguntou a ele: “E a avó dela?” O socorrista respondeu: “Infelizmente, está morta. Não tem como. Ali, é só desolação.”

Mas a gente de Bento Rodrigues acha um crime deixar morrer no desespero do atolamento bois, vacas, cachorros, cavalos e galinhas –até passarinhos em gaiolas — que ainda sobrevivem no atoleiro.

E eles existem.

Foto:

































Gustavo Ferreira / Jornalistas Livres

O passar monótono do tempo, sob sol forte e calor de 42ºC, sobe e desce de helicópteros, caminhões e camionetes entrando e saindo, nenhuma notícia, só é interrompido quando se ouve o grito: “Imprensa! Vem correndo! Aqui!”

Descendo uma pirambeira, logo se vê um grupo de moradores trazendo machucada, mas viva, uma cadela grandalhona, pelo marrom, vira-lata, deitada em um catre feito com dois paus e um lençol marrom que já foi branco. “Ela estava enfiada metade do corpo na lama”. Os homens que a carregavam conheciam o bicho. Era do açougueiro Agnaldo, que havia passado a manhã tentando entrar em Bento Rodrigues para reaver o animal. Proibiram-lhe.

“Tinha essa cachorra viva, podendo ser resgatada. Já vimos uma égua, que também está viva, enfiada até o pescoço na lama. Pode ter gente sofrendo, ainda viva, que foi arrastada pela lama pra longe”, angustia-se um dos salvadores da cadela.

“Avisamos os bombeiros sobre a égua, mas eles nos disseram que não poderiam salvá-la, porque não dispunham de corda para puxá-la. É preciso correr com a ajuda, agora que o barro começou a secar. No entanto, não se viu uma só vez aquelas gaiolas penduradas nos helicópteros, ajudando nas buscas”.

Foi à tarde que os heróis anônimos conseguiram burlar a segurança e esgueirar-se pela margens do mar de lama, onde encontraram a cadela machucada. Também encontraram um crucifixo de ouro de um metro de altura, que adornava o altar da igreja de São Bento, a igreja de Bento Rodrigues

Entregue pelos homens humildes (Neimar, Leléu, Lilico, Jerry, pedreiros e mecânicos) à polícia, o crucifixo foi levado de camburão para o quartel da polícia militar de Ouro Preto. “Ficará lá à disposição das autoridades eclesiásticas”, disse o tenente Welby. Da igreja branquinha não se vê mais nem sinal. As mangueiras em torno dela estão lá ainda.

O tenente Welby passava instruções ao soldado no posto de Santa Rita Durão: para este domingo, a zona quente seria ampliada e a barreira policial seria implantada bem antes, como forma de impedir os moradores de fazer seus resgates e salvamentos. E de ver o que se quer manter invisível.