Zumbi e Ecumenismo Étnico

Paiva Netto

Numa homenagem ao Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro, e à memória do valente Zumbi, apresento trecho de artigo que preparei para a Folha de S.Paulo em 15 de maio de 1988. Nele, enfatizo a necessária prática do Ecumenismo entre as mais variadas etnias:

Zumbi deu o brado que nenhum Domingos Jorge Velho poderia abafar: Liberdade! Dignidade! Somos seres humanos!

Morreu-lhe o corpo. Mas a Alma — quem conseguirá matá-la? — permanece... e se multiplica nas palavras e atos de um Patrocínio, Joaquim Serra, Luís Gama, Salvador de Mendonça, André Rebouças, Castro Alves, Joaquim Nabuco e de tantos outros negros, brancos, mestiços. Se ainda não há democracia étnica dentro de nossas fronteiras — embora o Brasil seja um povo de etnias mescladas, para cuja sobrevivência é essencial estar plenamente legitimada e vivida a sua brilhante mestiçagem —, é porque o espírito de senzala continua grassando. Contudo, é justamente na natureza miscigenada que consiste a sua força.

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À procura de equilíbrio

Paiva Netto

Agora, mais do que nunca, torna-se imprescindível a vivência do Amor Solidário Divino, porque ele é o único capaz de afastar da Terra as trevas do crime, da miséria e da dor quando compreendido e desempenhado — em todo o seu poder compassivo, justo e, portanto, eficaz —, não somente pela Religião, mas também pela Política, pela Ciência, pela Economia, pela Arte, pelo Esporte, pelos relacionamentos internacionais, pelo trabalhador mais simples e pelo mais projetado homem público.

Na verdade, o ser humano, sabendo ou não, procura instintivamente o equilíbrio, que só pode advir do exercício da Fraternidade, a grande esquecida — como lamentava Dom Bosco (1815-1888) — da trilogia da Revolução Francesa (Liberté, Égalité, Fraternité), tanto que sua posição é a final do lema reformista, quando deveria ocupar a vanguarda deste. Por isso deu no que deu, com tanta gente guilhotinada. (...)

Não foi sem motivo que o notável escritor Victor Hugo (1802-1885) declarou: “Sem Fraternidade não pode haver Paz”.

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O elemento inicial

Paiva Netto

 

Paulo Apóstolo, em sua Primeira Carta aos Coríntios, 13:2, iluminado pela Ascendência sobre si do Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, argumentou:

— Eu podia ter o dom da profecia; conhecer todos os mistérios e toda a ciência; ter fé capaz de transportar montanhas, logo que eu não tivesse Caridade [isto é, Amor]¹, já não valia nada.

Com base na inspirada assertiva do Apóstolo dos Gentios, concluímos que, se partirmos de cálculos científicos ou planejamentos sociais e políticos, sem que o Amor (sinônimo de Caridade) seja, de forma consciente, num plano superior, o elemento inicial e primordial, jamais alcançaremos o sentido maior da Criação e de Suas criaturas. Assim sendo, tudo o que fizermos ficará pela metade, com resultados aquém do pretendido ou contrários ao que fora almejado.

 

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Brasil — Vocação para o progresso

Paiva Netto

Nas comemorações dos 129 anos da Proclamação da República, reflitamos sobre o papel do Brasil no contexto mundial, que é também o de iluminar as consciências com sua cultura imanente de fraternidade. No ensaio Sociologia do Universo, comento a respeito de como vem se formando nossa História, cuja vocação trilha o caminho do êxito:

Não se edifica uma pátria sem generosidade de Alma e espírito pragmático. Demanda tempo, pois este ainda não é um mundo de seres pacificados. Neste planeta de tantos desafios, é trabalhoso, mas possível. Apesar de os povos estarem se tornando cada vez mais impacientes. Gamal Abdel Nasser (1918-1970), que nacionalizou o canal de Suez, com o inesperado apoio dos Estados Unidos, no governo de Dwight D. Eisenhower (1890-1969), e deu início, com financiamento da ex-União Soviética, à construção da grande represa de Assuã, carpido pelas lutas para erguer um Egito moderno, concluiu: “Construir fábricas é fácil, levantar hospitais e escolas é possível, mas erigir uma nação de homens é tarefa longa e árdua”.

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Cremação, prudência e Caridade

Paiva Netto

A nossa responsabilidade com o envoltório físico que Deus nos ofereceu é deveras séria. E isso se aplica a todas as etapas da existência, incluindo a morte e a transição para o lado ainda invisível da Vida Eterna. Os instantes que se seguem imediatamente após o desenlace também inspiram cuidados. Por isso, fui buscar no primeiro volume das Sagradas Diretrizes Espirituais da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo (1987) nosso ponto de vista contra a cremação dos corpos. Há consequências terríveis para o Espírito que começará sua adaptação à nova esfera, como vocês poderão ler:

Sem a Alma, o corpo é o cadáver. Porém, essa minha afirmativa não significa dizer que os despojos, pelo menos nos primeiros tempos da morte, não sejam instrumentos de condução de sensibilidades ao Ser Espiritual, por meio do perispírito. Para facilitar o entendimento desse ensino, vamos dar a palavra ao Espírito Emmanuel, quando nos fala sobre o delicado tema da cremação de corpos defuntos. Ele responde à pergunta 151, constante do seu livro O Consolador, pela psicografia do médium brasileiro Chico Xavier (1910-2002), Legionário da Boa Vontade nº 15.353:

 151 — O espírito desencarnado pode sofrer com a cremação dos elementos cadavéricos?

— Na cremação, faz-se mister exercer a piedade com os cadáveres, procrastinando por mais horas o ato de destruição das vísceras materiais, pois, de certo modo, existem sempre muitos ecos de sensibilidade entre o Espírito desencarnado e o corpo onde se extinguiu o “tônus vital”, nas primeiras horas sequentes ao desenlace, em vista dos fluidos orgânicos que ainda solicitam a alma para as sensações da existência material.

 Em 28 de julho de 1971, durante sua famosa entrevista para o programa Pinga-Fogo, da antiga TV Tupi, em São Paulo/SP, Chico Xavier, ao responder a questionamento de uma telespectadora, lido pelo jornalista Almyr Guimarães (1924-1991), ressaltou o que Emmanuel aconselha:

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