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Paiva Netto

Na vida pessoal ou coletiva, temos de saber, com honestidade, nos preparar para o amanhã. Daí o imenso valor dos pais, das mães e dos educadores. Repetidas vezes retomo o que declarei, em 1981, numa entrevista ao veterano jornalista italiano radicado no Brasil Paulo Rappoccio Parisi (1921-2016): administrar o próprio lar, entidades, empresas e nações é chegar antes. Isto é, com decisão e postura eficaz, procurar antecipar-se aos acontecimentos, evitando dificuldades ou mesmo estabelecendo correção de rumos ante os riscos que se anunciam, independentemente de tempo ou lugar. (...) No entanto, para a segurança e o desenvolvimento humanamente sustentado de qualquer organização, é essencial, por exemplo, que todos os seus componentes, de alto a baixo, aprendam uma grande ciência: a ciência do diálogo.

Pari passu com o bom relacionamento – pautado pelo compromisso e competência dos colaboradores de uma empresa – a internet aí está para auxiliar no aperfeiçoamento dos trâmites administrativos. Entretanto, a web por si só não promove a agilidade almejada das tarefas sem o correto preparo do profissional. (...) Saibamos utilizar os recursos modernos sem esquecer, é claro, que o benefício tem de ser para todos e não somente para alguns.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

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Paiva Netto

Dos originais de meu livro O Capital de Deus (Editora Elevação), ressalto:

Se alguma coisa de ruim vier a nos acontecer coletivamente, será pelo abuso do que fizermos do nosso arbítrio livre, não porque o milênio esteja às portas (estávamos para entrar no milênio terceiro).

No livro Ação e Reação, de André Luiz, na psicografia do Legionário da Boa Vontade Francisco Cândido Xavier (1910-2002), em dado momento o Espírito Druso, diretor da Mansão Paz (uma notável escola de reajuste, no Mundo Espiritual), dirigindo-se a André Luiz e Hilário, que estão num aprendizado novo naquela Casa de transição, esclarece: “(...) Nossos atos tecem asas de libertação ou algemas de cativeiro, para a nossa vitória ou nossa perda. A ninguém devemos o nosso destino senão a nós próprios”.

Não inventemos, pois, obstáculos para as facilidades que Deus coloca em nosso caminho. O progresso bem conduzido, iluminado pela Espiritualidade Superior, é satisfação para os povos. O Criador revela-se nas coisas mais simples. Como afirmava o filósofo grego Teócrito (320-250 a.C.): “Enquanto há vida, há Esperança”.

Ora, a nossa existência verdadeira é eterna, portanto… sempre haverá Esperança.

Temos de sair da tangência dos problemas, para adentrar no cerne das soluções. Daí a importância do Evangelho-Apocalipse, ele é a base de toda a civilização moderna.

Com a palavra, Pio XI

Cabe aqui esta exortação do Papa Pio XI (Achille Ratti, 1857-1939), na Encíclica Caritate Christi: “A crença em Deus é o fundamento indestrutível de toda a ordem social e de toda a responsabilidade sobre a Terra” (...).

É evidente que o ex-Cardeal de Milão, Itália, se refere ao Deus reconhecido como Amor, na definição de João Evangelista, em sua Primeira Epístola, 4:8 e 20: “Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é Amor. Se alguém disser: ‘Amo a Deus’, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê”.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

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Paiva Netto

O sentimento de amizade verdadeira, firmada na labuta diária, é fator significativo no fortalecimento das relações, para a superação dos dissabores, não somente no âmbito familiar, também no coletivo.

No Apocalipse de Jesus, 1:9, João Evangelista revela — por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus Cristo — a sua condição de “companheiro na tribulação, no reino e na perseverança”.

Há quem, ao interpretar o Livro das Profecias Finais, restrinja a sua mensagem à época do cruel Domiciano (51-96) e de outros inconsequentes que dirigiam o Império Romano. Contudo, o Apocalipse do Cristo Ecumênico, o Estadista Celeste, é uma obra para as gerações. Nas várias oportunidades em que reencarnamos na Terra, o Divino Mestre é companheiro nosso, ajudando-nos a vencer as piores provações, até que mereçamos não mais por aqui penar.

O mal na vida é restrito, ainda que muitos pensem o contrário, porque não se atrevem a ver além do horizonte material: existe algo mais do que eles teimam em não investigar, pois foge aos parâmetros na atualidade admitidos pela ciência convencional. Serão, porém, amanhã os mesmos? É evidente que o dogmatismo científico é o pior de todos. Todavia, a amizade, a fraternidade, a concórdia não sofrem restrição alguma da parte de Deus. Portanto, esse espírito solidário, que o Apocalipse projetou sobre as eras, não pode ficar jugulado a uma jornada física. (...). O último livro da Bíblia não é o reino do pavor. Ele nos fala de companheirismo diante das tribulações causadas pelos nossos equívocos planetários. Eis a Mão Divina semeando excelente virtude, onde o ser humano prefere perder-se. Trata-se de uma norma do governo de Jesus.

A amizade é por demais importante para a sobrevivência dos povos. O notável poeta Alziro Zarur (1914-1979) retrata esse fato no seu magnífico

Poema da Amizade

 

“Eu tenho, neste espírito de velho

“Que não compreende a vida em solidão,

“Meu particularíssimo Evangelho:

“Amizade é a minha religião.

“Nem só de feras se compõe o mundo,

“Como proclamam todos os egoístas:

“Basta verificar o amor profundo

“Que transborda nas almas dos altruístas.

“Que amizade se mostra é no perigo,

“No luto, na ruína e no sofrer:

“Porque, afinal, é fácil ser amigo

“Nas horas deliciosas de prazer.

 

“Estas não são teorias de um abstêmio,

“Mas de homem que enxergou, em plena vida,

“A falência do espírito boêmio

“Que se compraz na vocação suicida.

“Não sei se fui bem claro: o que ajuízo

“É que, em geral, artistas orgulhosos –

“Prosadores ou poetas geniosos –

“Fazem da sociedade um falso juízo.

 

“Na torre de marfim dos seus complexos,

“Que eles supõem de superioridade,

“Isolam-se de toda a Humanidade,

“Evitam dos humildes os amplexos.

“Quem pode ser amado sem amar?

“O que esses super-homens não entendem

“É que, com tanto egoísmo, eles pretendem

“A toda a massa humana desprezar.

“Não, talentosos luminares e astros

“Da vaidade infinita, que me aterra!

“Os homens podem, mesmo assim de rastros,

“Tentar trazer o paraíso à terra.

“Mas é preciso que haja em todos nós

“Um pouco de renúncia e de modéstia,

“Uma nesga, uma fímbria ou fraca réstia

“De solidariedade em nossa voz.

“É urgente que, da torre de marfim

“Em que vivem os gênios, ora desçam

“À planície e, depois, se compadeçam

“Dos pobres ‘imbecis de triste fim’.

“Cultivemos, senhores, a amizade

“Em suas santas manifestações,

“Sentindo as agonias e aflições

“Das camadas servis da sociedade!

“Por isso eu tenho − espírito de velho

“Que não compreende a vida em solidão –

“Meu particularíssimo Evangelho:

“Amizade é a minha religião”.

Sem Criador e criatura, não pode haver paraíso na Terra. É essencial, senhores, que estabeleçamos uma boa cumplicidade com Deus − segundo Aristóteles (384-322 a.C.), o motor silencioso do Universo −, de maneira que possa baixar a este mundo a nova Jerusalém (Apocalipse, 21:24, 25 e 26), quando:

“24 As nações andarão mediante a sua luz, e os reis da Terra lhe trarão a sua glória e a sua honra.

“25 As suas portas nunca jamais se fecharão de dia, porque noite ali não haverá.

“26 E lhe trarão a glória e a honra das nações”.

Acreditando no Amor

Certa ocasião, a atriz Luciana Vendramini, ao ser entrevistada pela revista Veja acerca do que a motivou a produzir e estrelar uma versão brasileira do musical “Legalmente Loira”, sucesso na Broadway, revelou o que a atraiu no roteiro. Diz ela: “A peça fala sobre a amizade verdadeira. Hoje, ninguém mais dá valor a isso. Ninguém mais acredita no Amor”.

Gostei desse enfoque de Luciana, pois os tempos atuais requerem grande relevância no reascender dos bons sentimentos, próprios da existência humana que queira sobreviver humanamente.

 

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

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Paiva Netto

Por ocasião do Dia dos Avós, comemorado em 26/7, recordei-me de minha saudosa vó Laura. Viveu nesta encarnação 99 anos, lúcida, ativa e juvenil. Veio a falecer — vejam vocês o dinamismo dela — alguns dias depois de voltar da feira, e por causa de um acidente quando retornava para casa. Com sua sabedoria, adquirida nos longos embates da vida, ensinava: “Aos que chegam, na sua existência, ao fundo do poço, só resta levantar a cabeça e começar a subir”. Sábias palavras.

Por sinal, em palestra que proferi sobre o que é ser jovem, veiculada pela Super RBV de Comunicação (rádio, TV e internet), destaquei esta máxima de Samuel Ullman (1840-1924), a qual muito aprecio: “A juventude não é um tempo de vida, é um estado de espírito”. Por isso, ao ouvir o incentivo que damos ao Jovem de Boa Vontade, o vovô ou a vovó jamais deve sentir-se excluído das nossas atividades. Eu mesmo, com muito gosto, já tenho quase 80 anos. Há décadas venho dizendo: aposentar-se do trabalho não significa aposentar-se da vida. Ela continua sempre. Portanto, é um erro descartar grandes valores porque estão “em idade avançada”. Descobertas importantíssimas foram feitas por homens e mulheres quando ultrapassavam os 60, 70 ou 80 anos. É preciso, pois, aliar ao patrimônio da experiência dos mais velhos a energia dadivosa dos mais moços.

Enquanto houver um sopro de vida, de alguma maneira poderemos ser úteis. Façamos continuamente o Bem.

 

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

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