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LUIZ FLÁVIO GOMES, jurista. Criador do movimento Quero Um Brasil Ético. Estou no F/luizflaviogomesoficial

Joesley assassinou a língua portuguesa (“nós não vai”) e se mostrou ruim em previsões. Já está na cadeia (em prisão temporária, de cinco dias, por ora). Ele e o executivo Saud. Por enquanto não há prisão contra o ex-procurador da República Marcello Miller.

A controvertida delação de Joesley deixou de ser um enigmático jogo de xadrez. Na verdade, é o xadrez que entrou no jogo, testemunhando o choro de Joesley.

Nas cleptocracias parasitárias as elites dirigentes que governam a nação (empresariais, financeiras e políticas) praticam o abominável capitalismo bandido (de compadres, de laços, de amigos). Nesse tipo de capitalismo, o deplorável poder do dinheiro (frequentemente) corrompe o humano. A corrupção, em seguida, corrompe seu cérebro (aniquilando as antenas éticas das amigdalas cerebrais).

Joesley voou muito alto. Esqueceu-se da advertência de Dédalo, pai de Ícaro. Se sentiu o dono absoluto da cleptocracia brasileira. Achou que nunca seria preso. Comprou o Executivo e o Legislativo (deu propinas para mais de 1800 políticos eleitos).

Grampeou Temer e Aécio Neves, colocando em cena safadagens e delitos que normalmente ficariam “ob scenum” (fora de cena).

Conseguiu de Janot sua imunidade penal, zarpou para Nova York como vencedor e achou que um dia poderia chantagear inclusive os ministros do STF (via ex-ministro da Justiça). Muita arrogância, muita soberba. Voou alto demais e se danou. O rei da carne está virando picadinho.

Sua delação será profundamente revisada. É provável (e desejável) que passe um bom tempo na cadeia (espera-se). Mas as provas validamente colhidas serão aproveitadas, incluindo os áudios escabrosos de Temer e Aécio (que estão dentro da jurisprudência do STF).

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LUIZ FLÁVIO GOMES, jurista. Criador do movimento Quero Um Brasil Ético. Estou no f/luizflaviogomesoficial

O belo e pujante Estado de Mato Grosso, evidentemente, não é uma “monstruosidade”. Do ponto de vista do exercício emporcalhado do poder, no entanto, é um retrato miniaturizado da cleptocracia parasitária chamada Brasil, que não passa de uma democracia apenas formal (sem substância). Cleptos = ladrões; cracia = governo, poder. A Lava Jato está revelando que o Brasil é mesmo um governo de ladrões.  

A delação do ex-governador Silval Barbosa, do PMDB (uma “monstruosidade”, disse o ministro Fux), descreve com perfeição como se exerce perversamente o poder numa cleptocracia parasitária (que não tem nada a ver com as verdadeiras democracias).

Para não atrapalharem a roubalheira generalizada do dinheiro público (praticada impiedosamente pelos ladrões invisíveis juntos com os visíveis), alguns deputados, prefeitos e conselheiros do Tribunal de Contas passaram a receber propinas mensais.

Alguns ladrões parasitas foram filmados. Nos seus rostos está estampado um prazer indescritível. A chefia da quadrilha, diz o Procurador-Geral, cabia a Blairo Maggi, que é ministro do governo ladrão de Temer, que não pode demiti-lo, sem antes assinar seu próprio pedido de demissão voluntária (PDV).

A delação do monstro Silval Barbosa (que confessou milhares de crimes) tem quatro volumes, 15 apensos e incontáveis gigabytes de cenas explícitas da corrupção desenfreada. 

Quando a polícia entrou na casa do governador mato-grossense a reação de espanto do ministro Gilmar foi também monstruosa: “Que absurdo!”, “Meu Deus do céu!”. Tudo isso foi interceptado licitamente.

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Os donos cleptocratas do poder, sem nenhum pudor e colocando-se acima de tudo e de todos (inclusive da lei), já estão discutindo publicamente o maior arrastão da história em termos de anistia penal-eleitoral.

É o maior bombardeio já visto contra a Lava Jato. Já começou a ser discutido publicamente e tem o propósito de “estancar o sangramento” da operação (Romero Jucá).

Incontáveis empresários, políticos e partidos (os donos larápios do poder, em suma, envolvidos com a corrupção) querem aprovar uma lei de anistia para todas as situações de caixa dois em campanhas eleitorais.

Pretendem anistiar os empresários que pagaram o caixa dois, o político ou partido que recebeu assim como os prestadores de serviços. É um arrastão geral, em benefício de todos os partidos incluindo PMDB, PSDB, PT, PP e tantos outros.

Mais de 90% dos crimes confessados por João Santana, Marcelo Odebrecht e todas as demais empreiteiras ficariam anistiados. É inequívoca a intenção de desidratar a Lava Jato, desmobilizando e desmoralizando seus defensores. Claro que será uma lei inconstitucional, antes de tudo porque imoral (violadora do princípio da moralidade).

Mais que um tapa na cara da população, é a consolidação de uma forma prepotente de exercer o poder (desde os senhores de engenho).

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LUIZ FLÁVIO GOMES, jurista. Criador do movimento Quero Um Brasil Ético. Estou no F/luizflaviogomesoficial

Gilmar Mendes é o ministro mais desaprovado pela população (67%, conforme pesquisa da Ipsos). Só conta com 3% de aprovação (marca só registrada por Michel Temer).

Cármen Lúcia, pela primeira vez, está mais desaprovada (36%) que aprovada (31%). Se não colocar em pauta prontamente os pedidos de suspeição contra Gilmar, dentro de pouco estará alcançando a ridícula popularidade do Temer.

Gilmar agora libertou o larápio conhecido como “rei do ônibus”, que foi preso num aeroporto tentando sair do País com documentos sigilosos. Tudo isso depois de ter sido padrinho de casamento da sua filha. Disse que isso não afeta sua imparcialidade (!).  

Antes Gilmar libertara o “rei da ficha-suja no Brasil”, José Riva, de Cuiabá (MT), sua terra. Também libertou Eike Batista e seus asseclas, que é cliente do escritório da sua mulher (Guiomar).

Quando a polícia fez buscas na casa do seu amigo governador mato-grossense, Silval Barbosa (que confessou centenas de crimes em sua delação), a reação de espanto do ministro Gilmar foi chocante: “Que absurdo!”, “Meu Deus do céu!”. Tudo isso foi interceptado licitamente. Despediu-se do larápio afetuosamente: “Um abraço aí de solidariedade”.

Um dia depois que Janot ofereceu a primeira denúncia contra Temer, Gilmar promoveu um jantar em sua casa para ele, Padilha e Moreira Franco. Viajou no avião presidencial, é frequentador assíduo do Jaburu (nas reuniões noturnas, clandestinas) e não se julga impedido de julgar os processos do governo ladrão de Temer.

A JBS gastou mais de R$ 2 milhões com patrocínios dados ao seu Instituto e ele não deu por impedido para julgar seus processos (de anulação da delação). Outros patrocinadores do seu Instituto tinham ações sob sua relatoria. Só depois da denúncia do Estadão ele se deu por impedido.

Aécio é investigado no STF em vários inquéritos (alguns são de sua relatoria) e mesmo assim ainda pede para Gilmar ser seu assessor político e cooptar o voto de um senador. Uma esculhambação total, mas não passa nada. Estamos numa cleptocracia parasitária.

Numa espécie de chefe da rede de proteção dos grandes ladrões do País (veja o vergonhoso julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE), continua praticando suas peripécias, declarando votos antecipados, reprovando publicamente magistrados e procuradores e tudo sem nenhuma censura contundente dos seus colegas de Corte.

Joaquim Barbosa foi o único que o enquadrou, mas a lição não foi aprendida.

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Temer assume definitivamente o governo e novamente não está se comprometendo com o efetivo combate à corrupção sistêmica no país. Nem tampouco, até aqui, externou qualquer tipo de apoio à Lava Jato. Continuamos sem encontrar um governante sério que dê vida para as palavras de Ulysses Guimarães, que dizia:

“A moral é o cerne da Pátria. A corrupção é o cupim da República. República suja pela corrupção impune tomba nas mãos de demagogos, que, a pretexto de salvá-la, a tiranizam. Não roubar, não deixar roubar, pôr na cadeia quem roube, eis o primeiro mandamento da moral pública”.

O PMDB está envolvido até o último fio de cabelo no caso Petrobras e tantos outros de corrupção. A indignação popular contra a bandalheira pública conduziu à necessária troca do governo, mas com o PMDB-PSDB no governo não se muda o DNA cleptocrata da política brasileira, que foi agravada com o lulopetismo.

Temer pode nos surpreender, mas é certo que não está na programação histórica desses clássicos partidos (PT, PMDB, PSDB etc.) qualquer tipo de iniciativa séria que mude nossa tradição de desrespeito à coisa pública (tradição de mais de 500 anos).

Nas cleptocracias (cleptocracia = sistema de governo em que as instituições favorecem o enriquecimento ilícito com o dinheiro público, a improbidade administrativa assim como o enriquecimento politicamente privilegiado dos donos do poder, em detrimento da maioria da população), mesmo quando sobrepostas às democracias formais, a troca dos donos do poder, sem o comprometimento sério de que vai respeitar a coisa pública, transmite sempre a sensação de que o velho já morreu e o novo não nasceu.