LBV - Legião da Boa Vontade

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Paiva Netto

Há exemplos de extraordinárias mulheres em todos os cantos do mundo, desde as mais destacadas às mais simples, a começar pela mais singela das mães. Uma delas é “a doceira de Goiás”, no vasto interior do Brasil. Trata-se da exímia poetisa Cora Coralina (1889-1985). Aos 75 anos de idade, apenas contando com instrução primária, publicou seu primeiro livro.

Disse a saudosa Cora: “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”.

É o talento do povo bem instruído e espiritualizado que transforma miséria em riqueza! A fortuna de um país situa-se, antes de tudo, no coração solidário e na consciência esclarecida de sua gente — valorizando a mulher e dignificando o homem. Neles se encontra a capacidade criadora. É assim em todas as nações.

Benjamin Franklin (1706-1790) há muito se levantara para esclarecer: “A verdadeira sabedoria consiste em promover o bem-estar da humanidade”.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

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Paiva Netto

Minhas Amigas e meus Irmãos, minhas Irmãs e meus Amigos, a bandeira que nos inspira é pregar a Palavra de Deus, não a nossa, porque as Almas estão sequiosas do conhecimento das Coisas Divinas. Nas Sagradas Diretrizes Espirituais da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, volume I (1987), expresso o que defendo desde a década de 1960: se os governos do mundo inteiro, num ato milagroso, resolvessem todos os problemas sociais de seus povos, as massas continuariam insatisfeitas, porque não somos apenas cérebro, estômago, sexo; todavia, algo mais: muito mais, somos Espírito! E este tem aspirações situadas além das do corpo. Somos também sentimento refinado, vontade de descobrir novos campos, novas eras, novas dimensões. Somos Almas livres em Deus e não admitimos algemas. Amamos a liberdade e com certeza a conquistaremos à medida que a respeitarmos, contribuindo para o bem de nossos semelhantes com a construção de uma Sociedade Solidária realmente Altruística Ecumênica.

Aliás, há muitos anos cheguei a afirmar, referindo-me à Democracia, ser ela o regime da responsabilidade. O seu sentido mais elevado encontra-se no Evangelho de Jesus, a Boa Nova do Divino Condutor do planeta Terra. Poderíamos dizer: seu Coautor. Deus é a Origem de todo o Bem, de uma forma que nos cumpre meticulosamente dissecar, de modo que saibamos, em Espaço e Tempo Divinos, desfrutar Sua Sabedoria, magnificência que abarca o Universo. Jesus é UM com Ele. Podemos testemunhar a Sua excelsa influência no surgimento deste orbe que habitamos, no relato de João, o Evangelho Iniciático, versículos de 1 a 3: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. O mundo [o planeta Terra] foi feito por Ele. Tudo foi feito por Ele. Nada do que se fez foi feito sem Ele, Cristo Jesus”.

Aqui comprovamos como Jesus formou este corpo celeste, que é a nossa moradia comum, e como a Sua Misericórdia permite que vivamos nele. No entanto, ingratamente o maltratamos, como ainda fazemos no tocante, por exemplo, à água, sem a qual não podemos viver. Com negligência, continuamos profanando-a, como se quiséssemos decretar, nós mesmos, a nossa morte coletiva.

Que acabará sobrevindo?

O precioso líquido em forma potável se tornará, por sua rareza causada pela insanidade humana, mais um grave fator de guerra. Entretanto, nada temamos. Sirvamos ao Criador por intermédio de Suas criaturas. Por quê?! Porque, como revela João no versículo quarto do capítulo primeiro, referindo-se a Jesus, que é UM com o Pai: “A vida está Nele, e a vida é a Luz do mundo”.

E o que acontece quando a Luz se apresenta? O versículo 5 do mesmo capítulo do Evangelho responde: “A Luz resplandece nas trevas, e as trevas não podem prevalecer contra ela”.

Por isso, afirmo que seguros estamos na Divina Segurança das seguras mãos de Jesus.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

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Paiva Netto

A Caridade é o conforto de Deus para as Almas e o relacionamento cordial entre criaturas que firmemente desejam a preservação deste mundo. Ela é uma função espiritual e social, não apenas um ato particular de socorrer apressadamente o mais próximo. É uma política dignificante, um planejamento humanitário, uma estratégia, uma logística de Deus, entendido como Amor, a nós oferecida, de modo que haja sobreviventes à cupidez humana. A Caridade é a Força Divina que nos mantém de pé. Sabemos, e basta ir ao dicionário, que Caridade é sinônimo de Amor. Portanto, é respeito, solidariedade, companheirismo, cidadania sem ferocidades. O mundo precisa de carinho e Amor Fraterno. Quem diz que não quer ser amado está doente ou mentindo, o que, no fundo, no caso em questão, é a mesma coisa. Pode ter certeza de que a pessoa está gritando lá dentro: “Socorro! Preciso ser amado! ou, preciso ser amada! Mas não tenho coragem de dizer! Tenho vergonha de reivindicar, um pouco que seja, da Fraternidade dos meus irmãos humanos! Mas escutem o meu apelo desesperado e silencioso!”

Como escrevi no livro Como Vencer o Sofrimento (1990), o Amor revela a Luz, e a Luz espanta a treva. Que mais quereremos nós? O ser humano tem carência de Amor verdadeiro. É o que muitos dirigentes dos povos em definitivo precisam entender. Governa bem aquele que governa o coração. Exclamam alguns: “— Ah, eu não falo em Caridade!” Infelizmente creem que ela se resume em dar às pressas esmola ao mendicante que os interpela. Já estão em falta quando se irritam diante do necessitado, que em geral é efeito e não causa. Devem refletir sobre este ditado latino: “Hodie mihi; cras, tibi”. (Hoje, eu; amanhã, você). Ou seja: agora, o pedinte é ele; amanhã, poderemos ser nós. O pior é que alguns transferem essa “amofinação” para um sentimento elevadíssimo, que é a Caridade, que eles não entendem muito bem, mas que se personifica na cola que junta as partes separadas da sociedade mundial. Enfim, Caridade é a esperança que repousa em Deus.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

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Paiva Netto

Nas belas paragens de Itapuã, na Bahia, vê-se ao longe uma jangada. Silenciosa, vai sumindo no horizonte, conduzida por um simpático ancião de cabeça toda branca, sereno, a cantar uma melodia que parece acompanhar o ritmo das ondas:

“A jangada saiu/ Com Chico Ferreira/ E Bento.../ A jangada voltou só...

“Com certeza foi, lá fora,/ algum pé-de-vento.../ A jangada voltou só.../ Chico era o boi do rancho/ Nas festas de Natá/ Não se ensaiava o rancho/ Sem com Chico se contá./ E agora que não tem Chico/ Que graça que pode ter?.../ Se Chico foi na jangada.../ E a jangada voltou só...

“A jangada saiu...

“Bento cantando modas/ Muita figura fez/ Bento tinha bom peito/ E pra cantar não tinha vez/ As moças de Jaguaripe/ Choraram de fazer dó/ Seu Bento foi na jangada/ E a jangada voltou só...”

Essa é uma das imagens que sempre na Alma guardarei do famoso cantor, poeta, compositor e violonista baiano Dorival Caymmi, que voltou à Pátria Espiritual em 16 de agosto de 2008, na cidade do Rio de Janeiro. Mais vivo do que nunca, pois os mortos não morrem, passa a fazer parte de um time de estrelas que já contava com a presença de Jorge Amado, Carmen Miranda, Tom Jobim, Cartola, Herivelto Martins e Dalva de Oliveira (saudosos pais do amigo Pery Ribeiro), além de tantos outros valores inestimáveis da cultura brasileira. Aliás, Pery e também Nonato Buzar, ambos também hoje na Pátria da Verdade, estiveram no cemitério São João Batista, para homenagear o grande ícone da música nacional.

Vidas cruzadas

Em diversas oportunidades, inclusive neste espaço, comentei o fato de esse extraordinário músico ter sido decisivo na aproximação de meus pais, escolhido por eles como padrinho de casamento. Passei a infância e a mocidade ouvindo e cantando Caymmi lá em casa.

A dedicatória que recebi da amável Stella, neta dele, em sua obra Dorival Caymmi – O mar e o tempo, fala-nos dessa amizade: “Querido Paiva Netto, a história de teu pai se cruza com a de meu avô. Que você curta muito o meu livro, beijos, Stella”.

Ainda nessa biografia, há o seguinte registro da autora: “(...) o jornalista e radialista Alziro Zarur (1914-1979) – futuro fundador da Legião da Boa Vontade – escreveu uma nota em que afirmava, com certo exagero, que, ‘se não houvesse balangandãs, torço de seda, e se não houvesse Dorival Caymmi, não haveria Carmen Miranda nem seu sucesso nos Estados Unidos’”.

Na necrópole, fiz questão de levar minha solidariedade aos filhos do inesquecível Caymmi: Dori, Danilo e Nana. Ao abraçar carinhosamente a querida Nana, pedi a Deus que enviasse também as melhores vibrações de fraternidade aos demais familiares de nosso amigo: sua amada esposa, dona Stella Maris, os netos e bisnetos do exemplar casal.

A jangada “voltou só”, mas Caymmi prossegue navegando pelos mares do universo. E os bons Espíritos, nossos Anjos Guardiães, se incumbirão sempre de bem cuidar dele no Céu.

Lembrança de Getúlio Vargas

No meu livro Crônicas e Entrevistas, da Editora Elevação (2000), conto que, em 24 de agosto de 1954, era eu um adolescente. Saía sempre cedo para estudar. Naquele dia, de súbito, uma professora, com os olhos esbugalhados, irrompe sala adentro. Chorosa, grita: “Aconteceu uma coisa horrível! Getúlio se suicidou!”

Um raio caiu sobre todos nós, meninos e meninas que estudávamos. As classes foram dispensadas. No país, salvo as exceções de praxe, paixões e baixezas políticas provisoriamente esquecidas. Os homens lembraram-se de que são humanos. Fui andando pela Dias da Cruz, no bairro carioca do Méier, enquanto pensava, como pensava um menino de 13 anos naquele tempo... Havia uma indescritível angústia no ar. Aquela rua tão bela quedava sombria, apesar da claridade matutina. Era a consternação das Almas...

Tudo passa. Mas o povo permanece.

Quantas vezes a população expressa mais refinado sentimento do que os seus condutores! Muitos rostos apareceram chorando pelas calçadas. E eu pensava, como pensava um menino de 13 anos naquele tempo... Que será do meu país daqui pra frente?!

Depois de vários minutos meditando sobre a tristeza geral e a dor da família Vargas, olhei para o alto e disse de mim para comigo mesmo: Por mais cruel que seja o sofrimento, a vida continua!... Por mais importante que seja um homem, não é maior do que a sua pátria. Tudo passa. Mas o povo permanece (...).

Transcorridos alguns dias, uns debochados surgiram com uma brincadeira fora de hora: “Essa droga de país só tem um jeito! Vamos provocar uma guerra com os estrangeiros... Aí eles vêm, ganham, e estarão resolvidos os nossos problemas...”. Cinismo puro! Ainda bem que a elite de uma nação é o seu povo.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

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Paiva Netto

A sustentabilidade é o desafio das nações emergentes ou das que já atingiram o mais alto nível de crescimento material de suas economias. Ela igualmente é a luta dos ecologistas e a meta a ser alcançada pelos administradores da Terra. Jesus, o Economista Divino, por Sua vez, nos oferece um caminho novíssimo, porque firmado em bases renováveis eternas do Espírito, o moto-contínuo, a curul do desenvolvimento planetário intermundos.

No Evangelho do Cristo Ecumênico, o Estadista Celeste, segundo João, 15:1 a 11, podemos ler:

A videira e os ramos

“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai, o viticultor. Ele corta os ramos que não derem fruto em mim e limpa todos os que dão fruto, para que o deem mais em abundância. Já estais limpos pela palavra que vos tenho anunciado; permanecei em mim e Eu em vós. Assim como o ramo não pode dar fruto de si mesmo, se não se conservar na videira, o mesmo vos sucederá se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira, vós sois os ramos. Aquele que permanece em mim, e no qual Eu permaneço, dá muito fruto, pois sem mim, nada podereis fazer. Se alguém não o fizer, será lançado fora como a vara e secará; e será jogada ao fogo para queimar. Se permanecerdes em mim e as minhas palavras em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será concedido. A glória de meu Pai está em que deis muito fruto, e assim sereis meus discípulos. Como o Pai me amou, assim também Eu vos amo. Permanecei no meu Amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis em mim, assim como tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no Seu Amor. Tenho-vos dito estas coisas, a fim de que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa.

É preciso iluminar o Espírito Eterno da criatura humana, origem da sua liberdade ou do seu cativeiro. A chave dessas afirmativas encontra-se no Evangelho, segundo Mateus, 6:33, preconizada por Alziro Zarur (1914-1979) como a “Fórmula Urgentíssima de Jesus”: “Buscai primeiramente o Reino de Deus e Sua Justiça, e todas as coisas materiais vos serão acrescentadas”.

Reforma a partir do espírito

Em meu artigo “Leis, homens etc...”, publicado há quase 30 anos na Folha de S.Paulo, já alertava para o fato de que é urgente educar. A Lei Áurea capaz de abolir a escravatura em qualquer país é livrar seu povo da ignorância. Escreveu Rui Barbosa (1849-1923) que “instruir não é simplesmente acumular conhecimentos, mas cultivar as faculdades por onde os adquirimos e utilizamos a bem do nosso destino. Se não as educamos, simultaneamente, na direção da esfera intelectual e na direção da esfera moral, tê-las-emos condenado a um desenvolvimento incompleto. Conhecer é possuir a noção plena e o conhecimento perfeito da lei no mundo moral, como no da criação material. A ausência da percepção do dever é, pois, uma das faces da ignorância, no sentido em que entendemos, quando lhe opomos como antídoto a escola”.

Não basta, portanto, apenas, instruir, informatizar, porque a Espiritualidade Ecumênica é fator de comedimento que sustenta a ética nas ações humanas, particulares ou públicas. Levemos em conta esta reflexão do velho Sêneca (4 a.C.-65 d.C.), filósofo estoico, arrastado à morte por Nero (37-68): “A estrada para a sabedoria é longa através de preceitos, breve e eficaz por intermédio de exemplos”.

O que não se faz por reformas que flagrantemente batem à porta pode vir a ser realizado por meio de processos traumáticos. E aí, além dos anéis, vão-se os dedos (...).

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

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