LBV - Legião da Boa Vontade

Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa

Paiva Netto

Na Legião da Boa Vontade (LBV), não alimentamos clima para conflito de gerações. Pelo contrário: aliamos ao patrimônio da experiência dos mais velhos a energia dadivosa dos mais moços. E o povo ganha com isso.

Estamos constantemente recordando aos jovens que, um dia, também terão cabelos brancos. Da mesma forma fraternalmente falamos aos idosos, lembrando-lhes de que já foram moços... É muito importante não esquecermos disso...

Os jovens amanhã envelhecerão também... Se quiserem manter o mesmo espírito de esperança, a mesma feição juvenil, apesar das naturais rugas do tempo e dos sempre belos cabelos brancos, pratiquem o Bem. Não há outro caminho. É o Espírito que fortalece o nosso ânimo, que nos concede a beleza eterna da simpatia. Não há melhor cosmético do que a consciência tranquila.

Pode parecer um paradoxo. Todavia, o país que desampara os seus idosos não crê no futuro da sua mocidade. Que é a nação, além de seus componentes? Havendo futuro, os moços envelhecerão. Viverão mais. Irão aposentar-se... Uma convicção arraigada do gozo imediato das coisas é a demonstração da descrença no amanhã. E os que podem pensam: “Vamos viver agora, antes que tudo acabe! E os que conseguirem resistir tanto que se danem...” Não há exagero algum aqui. É o que se vê. Tem-se a impressão de que muitos daqueles que desfrutam do vigor da juventude ignoram a possibilidade de até mesmo alcançar a decrepitude. Mas poderão chegar lá... Não existe futuro sem moços. Também não o há sem velhos. Jovem é aquele que mantém o ideal no Bem.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.www.boavontade.com

Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa

Paiva Netto

Aprecio bastante um pensamento da famosa fotógrafa alemã, radicada nos Estados Unidos, Ruth Bernhard (1905-2006): “Devo morrer jovem, independentemente da idade em que esse evento ocorra”.

Essa reflexão vem ao encontro do que sempre digo aos moços das Instituições da Boa Vontade (IBVs)*, independentemente de quantos anos possuam: Jovem é aquele que mantém o ideal no Bem. Portanto, a contagem cronológica de vida não define realmente se você é moço ou idoso, apesar de alguns desafios naturais à idade. Existem jovens velhos e velhos jovens. Tudo é questão de mentalidade!

Por isso, quando falamos em moços na Seara da Boa Vontade, não levamos em conta seu tempo de existência. Referimo-nos, isto sim, a toda criatura que não perdeu o ideal fraterno. São todos aqueles que desejam progredir pelos caminhos da Paz, aqui na Terra ou já estando na Pátria da Verdade, afinal ninguém morre. Lá o progresso igualmente continua. Uma breve explicação: assinalei o substantivo “ideal” com o adjetivo “fraterno”, tendo em vista o fato de que há “ideais” que não devem ser seguidos, como os que exaltam a violência, a intolerância e o preconceito.

E, ao me dirigir àqueles que preferem as trilhas da concórdia neste mundo cheio de brutalidades, não faço alusão aos covardes nem aos ociosos, uma vez que procurar ser pacificador exige coragem, que o diga Gandhi (1869-1948).

Se há muitos jovens do corpo em nossa lide, e fico satisfeito com isso porque a cultura se prolonga por meio deles, há também muitos integrantes da Melhor Idade que são joviais no Espírito e bastante ativos. Ora, ora!

Destacados personagens da História fizeram revolução em idade avançada.

Recorro à Antologia da Boa Vontade (1955) para ilustrar, de forma categórica, meu ponto de vista sobre o real significado de juventude:

“Quem, durante a existência, soube cultivar, lado a lado, Espírito e corpo não pode e nem deve aos 60 anos julgar-se velho. Considere-se, por exemplo, que ‘Kant, o famoso filósofo, escreveu aos 74 anos a sua Antropologia, a sua Metafísica, a sua Ética; também aos 74, Tintoretto pintou uma tela de mais de 20 metros por quase 10, o célebre Paraíso; ainda aos 74, escreveu Verdi a sua ópera Otelo, aos 80, a sua obra-prima Falstaff e, aos 84, três imorredouras páginas religiosas: Ave-Maria, Stabat Mater e Te Deum; Catão, aos 80, começou a estudar grego; Lamarck, aos 78, publicou a História Natural dos Invertebrados; Goethe, só aos 80, completou sua obra-prima, o FaustoTennyson, aos 80, escrevia a sua célebre obra Crossing the BarFontenelle, um dos enciclopedistas, dizia, aos 90, que nunca sentira a menor falha em sua memória ou em seu raciocínio; e o quadro histórico Batalha de Lepanto foi pintado por Ticiano, aos 88 anos de idade!’”

É bom refletirmos sobre isso.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.www.boavontade.com

________________________________
* Instituições da Boa Vontade (IBVs) — Formadas pela Legião da Boa Vontade (LBV); pela Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo; pela Fundação José de Paiva Netto; pela Fundação Boa Vontade; e pela Associação Educacional Boa Vontade.

Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa

Paiva Netto

Dentre tantos casos que ilustram a necessidade de o espírito solidário reger a economia nas civilizações, é oportuno ressaltar o brilhante trabalho da dra. Elinor Ostrom (1933-2012), única mulher até hoje a receber o Prêmio Nobel de Economia. Ela e Oliver Williamson foram laureados em 2009, ambos por pesquisas na área de governança econômica.

A saudosa professora da Universidade de Indiana, EUA, teve de vencer os preconceitos acadêmicos contra a mulher para se graduar em Ciência Política. De origem humilde, interessou-se por estudar a organização de comunidades e a gestão que fazem dos recursos comuns, a exemplo das áreas florestais e de pesca. Ela acreditava que as pessoas, por si sós, alcançariam formas racionais de sobreviver e de conviver bem. Seria possível estabelecer laços de confiança entre os indivíduos e desenvolver regras, respeitando as particularidades dos sistemas ecológicos, a fim de que houvesse cuidado e proveito coletivos dos bens disponíveis. Isso foi de encontro à teoria econômica em vigor, chamada “tragédia dos comuns”, baseada numa visão de que o ser humano, agindo apenas de forma egoísta, levaria à ruína os recursos naturais.

E as extensas pesquisas de campo que ela realizou nas florestas do Nepal, nos sistemas de irrigação da Espanha, nas vilas montanhosas da Suíça e do Japão, nas áreas de pesca da Indonésia, entre outros locais, confirmaram sua hipótese de que é possível haver convivência harmoniosa e uso responsável das condições que a Natureza oferece. Verificou-se que não se poderiam reduzir as pessoas à ganância de tão somente buscar o máximo de ganhos individuais. Porquanto, deve-se compreender que a vida é composta de propósitos mais amplos e que a ajuda mútua se apresenta como item de necessidade básica da Alma humana. Em artigo científico, de junho de 2010*, a dra. Ostrom concluiu:

— Por quase todo o século passado, analistas de políticas públicas têm postulado que o grande objetivo dos governos é projetar instituições para forçar (ou empurrar) indivíduos completamente egoístas a alcançar melhores resultados. Extensa pesquisa empírica me leva a argumentar que, pelo contrário, o principal objetivo das políticas públicas deve ser facilitar o desenvolvimento de instituições que despertem o que há de melhor nos seres humanos. Precisamos nos perguntar como instituições policêntricas variadas ajudam ou impedem inovação, aprendizado, adaptação, integridade de caráter, níveis de cooperação dos participantes, bem como a conquista de resultados mais efetivos, equitativos e sustentáveis, em escalas múltiplas. (O destaque é meu.)

Nada melhor do que acreditar e investir no potencial divino dos indivíduos. Não nos cansamos de afirmar: nascemos na Terra para viver em sociedade, Sociedade Solidária Altruística Ecumênica; portanto, fraternalmente sustentável.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.www.boavontade.com

________________________________
* OSTROM, Elinor. “Beyond Markets and States: Polycentric Governance of Complex Economic Systems”, em American Economic Review, 100, junho de 2010, p. 24.

Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa

Paiva Netto

Achei, nos meus alfarrábios, texto que publiquei, em 3 de maio de 1987, na Folha de S. Paulo, dedicado à Melhor Idade:

Na Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo procuramos sempre aliar a energia dadivosa dos mais novos ao patrimônio da experiência dos mais idosos. E isto se consegue pela influência do Amor Fraterno, que não é velho nem novo; é eterno porque é Deus. O Pai Celestial é Amor, consoante definiu João, em sua Primeira Epístola, 4:8. E completava Zarur: “E nada existe fora desse Amor”. Por isso, quem tem ideal não envelhece. O corpo pode baquear. Mas o Espírito está sempre alerta. Jovem é aquele que mantém o Ideal no Bem.

Que é novo, que é o antigo, afinal? Nada! Immanuel Kant (1724-1804), o grande filósofo alemão, autor de Crítica da Razão Pura, afirmava, mutatis mutandis, que o tempo é a grande mentira dos homens. Portanto, acima de tempo-espaço e seus limites. Real é a Vida, que é eterna.

Sidónio Muralha, poeta português que se radicou no Brasil, onde viveu até o seu falecimento em 1982, louvou essa eternidade do valor intemporal no seu belíssimo “Cântico à Velhice”: “(...) É este o cântico/ Dedicado ao que chamam/de velhice/ que é a infância/ lançada mais longe,/ onde o horizonte/ se rasga e alarga (...)”.

A composição poética, a recebemos de Dona Helen Anne Butler Muralha, esposa do saudoso poeta, que gentilmente também nos cedeu a foto do casal. Vamos, então, ao esforço bem-sucedido de Muralha, por desmistificar o tempo, esse fantasma que atormenta o ente humano-ser-restrito, até que um dia ele perceba que, na verdade, é Espírito Eterno, pairando acima de todos os grilhões da carne perecível.

“Cântico à Velhice”

“Minha velha Portuguesa/ com o teu rosto marcado,/ mas sem medo da vida/ (e ainda menos da morte),/ atira o teu cajado contra o tempo/ que passa e não tem presente,/ porque na segunda sílaba do  presente/ já passou a ser passado.

“Atira teu cajado, companheira,/ contra esse tempo efémero/ que não consegue apagar-nos.

“Nós corremos no sangue/ das novas gerações/ e os velhos são as crianças/ do futuro, /as primaveras que vieram dos invernos,/ as flores que rebentam,/ que explodem da terra,/ como tu,/ minha querida portuguesa,/ que em cada ruga que tens/ existe um poema escrito/ tão grande e tão profundo/ que é um cântico à velhice.

“Sim, um cântico sem fronteiras,/ porque os velhos/ têm asas imensas/ que voam no sentido contrário,/ desafiando o espaço/ como quem roça o mar,/ mergulha para sempre/ mas deixa, perto do sol,/ uma mensagem salgada.

“Velha portuguesa/ feita de oceano/ como todos nós,/ que somos navios,/ barcos, canoas,/ remos e lemos,/ quilhas,/ algas e maresia,/ mastros de audácia/ que derrotam tempestades,/ caravelas, descobertas,/ velha portuguesa/ descobre que o tempo/ tem medo do teu cajado/ e desanca as horas,/ e desaba as horas,/ e desaba os relógios/ que são acidentes/indecentemente formais.

“É este o cântico/ dedicado ao que chamam/ de velhice/ que é a infância/ lançada mais longe,/ onde o horizonte/se rasga e alarga.

“Não esqueças, portuguesa amiga,/ de vergastares o tempo/com o teu cajado.”

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.www.boavontade.com

Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa

Paiva Netto

Não há felicidade, a não ser pelas boas realizações em favor do semelhante, o que naturalmente resulta, pela Misericórdia Divina, em benefício do próprio benfeitor. Vivemos em sociedade. Não há departamentos estanques. Qualquer ser medianamente inteligente há de convir que isso é uma verdade. Por exemplo: muitas nações não estão diretamente envolvidas nos conflitos armados do mundo, mas todas sofrem a opressão do medo ou da miséria, pela violência dos armamentos novos ou pelo desvio maciço de verba para a indústria da morte, em prejuízo da instrução, educação, alimentação e saúde de muitos povos. Como ensinava o saudoso Proclamador da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, Alziro Zarur (1914-1979): “Deus criou o ser humano de tal forma que ele só pode ser feliz praticando o Bem”. Não há outro caminho! O resto, que é ditado pelo egoísmo feroz, resulta na frustração que leva ao desespero que anda infernizando o mundo. É a lei da selva vigorando, felizmente que por pouco tempo, porque Jesus está chegando! E, com Ele, vem o fim do reino da maldade, conforme Sua promessa.

Foi Jesus quem disse que o grande dia de Sua Volta Triunfal será quando menos se esperar, porquanto as multidões andam dispersas pelas convocações da existência humana e/ou mundana que, mais tarde, se revelarão dolorosíssimas aos que desertam Dele e de Sua Doutrina: “Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos  assim será também a vinda do Filho de Deus”(Evangelho, segundo Mateus, 24:38 e 39).

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.www.boavontade.com