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*Dr. Marco Lipay

 

      O câncer de próstata é a neoplasia sólida mais comum, após o melanoma, e a segunda maior causa de óbito oncológico no sexo masculino no Brasil.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), haverá mais de 68.000 novos casos este ano no Brasil, enquanto nos Estados Unidos, segundo a Sociedade Americana do Câncer, a estimativa é de 174.650 novos casos e 31.620 óbitos em 2019.

            Hoje faz-se um diagnóstico de câncer de próstata a cada 7 minutos e um óbito pela doença é registrado a cada 40 minutos. Além disso, 25% dos portadores de câncer de próstata morrem devido a doença e 20% dos pacientes com câncer de próstata são diagnosticados em estágios avançados. 

            Quando os sintomas começam a aparecer, 95% dos casos já estão em fase adiantada.  Não é possível evitar a doença, mas é possível diagnosticá-la precocemente e, desse modo, as chances de cura são maiores de 90%. Esses números justificam a necessidade de uma consulta com o Urologista a partir da quarta década de vida.

            Da mesma forma que o homem é submetido a um exame físico invasivo, conhecido como toque da próstata, as mulheres são submetidas ao exame ginecológico desde o século passado. 

            Vale lembrar que, em 1924, o Dr.  George Papanicolau, médico pesquisador, observou que as células neoplásicas derivadas do colo do útero podiam ser observadas em um esfregaço vaginal. Em 1943, ele publicou os primeiros resultados de detecção de células cancerígenas na vagina e útero. 

A partir dessas observações, as lesões pré-cancerígenas poderiam ser diagnosticadas e, assim, evitar o desenvolvimento do câncer invasor. O exame ginecológico e o teste de Papanicolau foram e são considerados ferramentas fundamentais na detecção e na prevenção do câncer do colo do útero, mas para isso a mulher é examinada em posição ginecológica por um médico, algo também considerado constrangedor no meio do século passado. Hoje isso é uma rotina e prova disso é que os pais orientam suas filhas a procurar um ginecologista já na adolescência.

            No caso do Homem, ainda no século 21, o toque retal é considerado por muitos como um tabu. Lembramos que o exame de sangue conhecido como PSA (antígeno prostático especifico) não é suficiente para o diagnóstico ou exclusão do câncer de próstata. Existem tumores de próstata atípicos que não elevam os níveis de PSA no sangue. 

            O exame da próstata ou toque retal é um exame digital, aonde o urologista irá verificar a anatomia da próstata: tamanho, limites, sulcos, consistência, temperatura, dor e se existe ou não a presença de nódulo, que pode ser uma forte suspeita de câncer da próstata. Neste exame também é possível avaliar se há hiperplasia prostática benigna, hemorroidas, fissuras ou cânceres na porção terminal do reto e ânus. O exame é bem rápido, leva menos de um minuto.

            A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que homens com mais de 50 anos procurem um Urologista, para avaliação individualizada. Homens da raça negra ou com parentes de primeiro grau com câncer de próstata devem começar aos 45 anos. 

A maioria dos cânceres detectados através de um exame retal digital é curável. No entanto, eles podem ter piores resultados quando o nível de PSA atingir o limiar para biópsia da próstata.

Não tenha medo de conversar com seu médico sobre os riscos e benefícios do exame retal.


*Dr. Marco Aurélio Lipay é Doutor em Cirurgia (Urologia) pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), Titular em Urologia pela Sociedade Brasileira de Urologia, Membro Correspondente da Associação Americana e Latino Americano de Urologia e Autor do Livro "Genética Oncológica Aplicada a Urologia"



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