Nos últimos anos, as trends — ou tendências virais que se espalham rapidamente nas redes sociais — se tornaram um dos principais motores de transformação do consumo. O que antes era ditado por grandes marcas, veículos de mídia ou celebridades tradicionais, hoje nasce de vídeos curtos no TikTok, de desafios no Instagram, de resenhas no YouTube e até de lives no streaming. A lógica mudou: o consumidor não apenas segue tendências, mas as cria, as valida e as transforma em fenômenos globais em questão de dias.

A velocidade da viralização e o efeito manada

Uma característica central das trends é a rapidez com que se espalham. Um produto, música, estilo de vida ou até mesmo uma receita pode ganhar notoriedade de forma quase instantânea. Essa dinâmica cria o chamado “efeito manada”: quando as pessoas percebem que algo está em alta, sentem-se motivadas a aderir para não ficarem de fora. Esse comportamento é fortemente influenciado pelo FOMO (fear of missing out), ou medo de perder uma experiência que todos parecem estar vivendo. Assim, o desejo de pertencimento acelera a decisão de compra, muitas vezes sem que o consumidor faça uma análise racional.

Do entretenimento à decisão de compra

As trends borram as fronteiras entre entretenimento e consumo. Vídeos que começam como brincadeiras acabam impactando diretamente as vendas de determinados produtos. Um exemplo recorrente é o chamado “efeito TikTok”: quando um item aparece em um vídeo viral, pode se esgotar em lojas físicas e virtuais em poucas horas. Esse fenômeno mostra que a jornada de compra deixou de ser linear e previsível. Hoje, ela é impulsionada por conteúdos curtos, espontâneos e altamente compartilháveis.

A construção de novos desejos

As tendências digitais também têm o poder de moldar novas necessidades e desejos. Muitas vezes, os consumidores sequer sabiam que queriam algo até vê-lo repetidamente em diferentes contextos. Esse processo é resultado da exposição constante, que normaliza comportamentos e cria a percepção de que aquele produto ou estilo de vida é indispensável. Além disso, as trends democratizam o acesso à influência: qualquer pessoa pode viralizar um vídeo e impactar milhares de consumidores, sem precisar de grandes produções ou estratégias elaboradas.

A pressão do imediatismo e do descarte

Por outro lado, a lógica das trends também traz efeitos colaterais. O consumo se torna mais impulsivo e efêmero. Produtos que hoje estão em alta podem cair no esquecimento em poucas semanas, gerando um ciclo de descarte acelerado e estimulando práticas que nem sempre são sustentáveis. Esse imediatismo pressiona marcas a acompanhar constantemente as movimentações digitais, sob o risco de se tornarem irrelevantes se não embarcarem na onda certa.        

Marcas e consumidores em co-criação

O poder das trends está justamente em colocar marcas e consumidores em uma relação mais horizontal. Em vez de campanhas unilaterais, hoje vemos uma co-criação de narrativas: os usuários adaptam, recriam e ressignificam conteúdos de acordo com suas próprias realidades. Esse movimento dá mais autenticidade às mensagens, mas também exige das marcas agilidade e sensibilidade para não parecerem forçadas.  Baixar video Instagram

Conclusão

As trends não são apenas modismos passageiros: elas representam uma nova forma de comportamento de consumo, marcada pela velocidade, pela participação coletiva e pela influência digital descentralizada. Se, por um lado, aceleram desejos e ampliam a visibilidade de produtos, por outro, impõem desafios de sustentabilidade e relevância às marcas. No fim, o poder das tendências digitais está em transformar consumidores em protagonistas de um mercado cada vez mais dinâmico, imprevisível e interativo.


Moldura_Tende^ncias de mercado em 2024.png

Fonte: Izabelly Mendes.