Usuários da rede pública de saúde continuam insatisfeitos com a maneira com que têm sido tratados em Juatuba. E, conforme relatos ouvidos pelo jornal, a situação do setor que já era complicada, ficou pior depois da terceirização de parte dos serviços da Policlínica para o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paraopeba – Cismep – hoje responsável por gerenciar todo o sistema. Não faltam reclamações sobre a precariedade dos atendimentos e o descontentamento já é grande entre profissionais da área, que, na segunda-feira, 03, decidiram cruzar os braços e suspender os atendimentos no período da manhã em protesto contra o atraso no pagamento dos salários.
Informações obtidas pela reportagem são de que alguns trabalhadores contratados pelo Cismep ficaram dois meses sem receber parte dos vencimentos. As denúncias circulam pela Secretaria Municipal de Saúde e, segundo depoimentos, os servidores têm receio de que uma exposição possa gerar retaliações e, somente por isso ainda não intensificaram a manifestação. Um médico chegou a dizer que apesar de continuar prestando os serviços, não pode contar com o dinheiro que deveria receber.

Para ampliar a atuação do consórcio no município, com a entrega da coordenação da Policlínica, a Prefeitura conseguiu aprovação pelos vereadores de um remanejamento de R$ 1,5 milhão. A administração afirmou que uma parcela do montante seria destinada à reestruturação do Pronto Atendimento, com reforma da estrutura de acolhimento aos pacientes, o que, conforme denúncias, continuam as mesmas. A contratação do grupo causou polêmica também porque uma das primeiras imposições feitas pela diretoria foi pela substituição de todos os servidores municipais lotados no setor por profissionais do próprio sistema. Depois de muitas discussões, a direção do consórcio concordou em manter os trabalhadores no cargo, porém, avisou que os mesmos podem ser trocados a qualquer momento por contratados.

Polêmica e revolta

Em publicações recentes, o JORNAL DE JUATUBA E MATEUS LEME adiantou que o Cismep não é bem visto por entidades sindicais que representam os profissionais do segmento. O grupo, que é presidido pelo prefeito de Betim, Carlaile Pedrosa, responde na Justiça a uma ação civil pública protocolada na 3ª Vara Cível da cidade vizinha em 2012, que pede a suspensão de todos os contratos de clínicos e especialistas feitos temporariamente ou por meio de pessoa jurídica. O processo está concluso para despacho e não houve andamento desde fevereiro deste ano.

Em declarações à imprensa, o diretor do departamento jurídico do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais – Sinmed/MG -, Artur Oliveira Mendes, afirmou que a medida foi tomada porque a contratação é uma manobra usada pelos municípios para driblar os direitos trabalhistas e a obrigatoriedade da realização dos concursos públicos nas prefeituras. Uma das principais alegações para o posicionamento contrário ao consórcio é de que com as contratações como pessoa jurídica, os profissionais perdem todos os benefícios, como férias, 13º Salário e insalubridade.


Jornal de Juatuba